Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor” mas Quebra Gelo desde 1961


Frígida pequenez

Passageiros abordam o enorme quebra-gelo "Sampo" sobre a superfícies gelada do Golfo de Bótnia.

Prontos para tudo

Equipados com fatos de mergulho de grande espessura e isolamento, dois voluntários preparam-se para mergulhar no canal do Golfo de Bótnia aberto pelo "Sampo"

Rumo ao Árctico

Passageiros apreciam o canal aberto no Golfo de Bótnia desde a popa do "Sampo".

À moda da Lapónia

Lapão Jani Lammi rebocado por uma das suas renas junto ao lugarejo de Meri-Lapin.

Ontem

Motas de neve de última geração, contrastam com as tendas tradicionais de Meri-Lapin.

A experiência das experiências da viagem a bordo do "Sampo": passageiros flutuam na água semi-gelada do canal recém-aberto pelo quebra-gelo no Golfo de Bótnia.

Cargueiro abre o seu próprio caminho, numa direcção distinta da do canal sulcado pelo "Sampo".

Passageiros examinam o enorme casco reforçado do "Sampo" a partir da superfície sólida do Golfo de Bótnia em redor.

Grupo de taiwaneses diverte-se após o seu mergulho no Golfo de Bótnia.

Tripulante italiano Rafaello na sala de comunicações datada do velho quebra-gelo “Sampo".

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.

Andamos já bem fora do território tradicional que o povo Sami ocupa na Finlândia mas, por razões que a razão desconhece, é Sami o nome dos dois guias que nos vêm buscar ao Merihovi. Desde o fim do curto dia anterior que estamos instalados neste hotel revivalista dos anos 50, no centro de Kemi.

Em termos cénicos, Kemi não corta a respiração a ninguém. Também não é uma cidade finlandesa qualquer. Fica no píncaro do Golfo de Bótnia, junto ao único lugar onde a Suécia e a nação suomi se encontram à beira-mar, umas meras centenas de quilómetros a sul do Círculo Polar Árctico.

Kemi é industrial de uma forma subtil, com o valor acrescido do seu porto de águas profundas, precioso nestas latitudes tanto tempo geladas. O porto de pouco serviria se os metros superiores do mar ao largo se mantivessem sólidos durante o longo Inverno. Foi aí e por isso que uma das duas principais atracções de Kemi, o quebra-gelo “Sampo”, entrou nas histórias, na da Finlândia e na nossa.

“Estão prontos? Trouxeram tudo?” inquirem-nos os Samis? Achávamos que sim. “Já alguma vez andaram de mota de neve?” Era a terceira vez que explorávamos partes distintas desta região setentrional da Finlândia. Em todas elas tínhamos tido essa oportunidade. “Óptimo! Assim poupam-nos algum tempo de briefing e instruções até porque, não é nada de grave, mas já vamos com um pouco de atraso.”

Vinte minutos depois, chegamos à doca semi-gelada de Kemi, e às imediações da sua outra grande curiosidade, o grande castelo de gelo de Lumilinna. Ali, uma trupe de forasteiros orientais divertia-se a fazer palhaçadas sobre a neve, e a filmá-las com o monumento em fundo. À boa maneira austera e pragmática finlandesa, um dos Samis interrompe a diversão. Havia que pôr em marcha o programa da manhã e as motas. E a sua prioridade não tinha recurso.

De um momento para o outro, de admiradores espantados daquela imensidão glacial do Golfo de Bótnia, passamos a percorrê-la em caravana e a grande velocidade.

Avançamos uns bons quinze quilómetros sobre o mar gelado. E, regressados à terra pouco ou nada distinguível, por um caminho de litoral sinuoso, entre arbustos e espruces, alguns deles, transformados em elegantes candelabros naturais pela algidez compactadora da noite.

Os motoqueiros boreais à nossa frente detêm-se. Estacionam as motas à entrada de uma propriedade com três grandes tendas cónicas cobertas de neve e um curral aberto que, por essa altura, encerrava apenas três ou quatro renas. Dois criadores de gado lapões surgem do meio das tendas para nos acolher. Vestem trajes a condizer com a condição. Reino Niemela e Jani Lammi, assim se chamam, convidam-nos a entrar para a tenda mais alta e que mais se assemelhava a um tipi dos indígenas norte-americanos. Mais feliz a lidar com as famílias e com as renas que com forasteiros que pouco lhes diziam, a dupla cumpre o seu papel com uma frieza condizente com a do clima. Para compensar, recuperam o vigor da fogueira no centro da tenda e servem-nos café a todos.

Os taiwaneses falam entre si. Nós já nos tínhamos acostumado a puxar pelos mais introvertidos finlandeses. Voltámos a tomar a iniciativa. “Mas vocês são sami?” perguntamos-lhes genuinamente confusos pela aparente semelhança do traje. Reino, o ancião, toma a palavra da forma bem inspirada (de meter ar nos pulmões), pausada, poupada e lenta que caracteriza a fala dos suómi: “Não somos sami, somos Lapões. Cá na Finlândia, Lapões são todos os que, na Lapónia e há várias gerações, têm e criam renas. Não precisam de ser sami. Estamos junto à aldeia de Meri-Lapin. Os samis ficam lá mais para cima.”

O aconchego do calor a lenha, o estímulo do café forte e a conversa com os anfitriões – entretanto, já menos contrariados por estarem contrariados no seu papel – mantiveram-nos embrenhados naquele abafado refúgio sub-árctico.

Não tarda, os Samis de baptismo, voltam a arrebatar o grupo do consolo da tenda para a frieza desumana do exterior. “Vamos rapazes, não há nada de novo em relação à vinda. Só quando nos aproximarmos do “Sampo”, é que eu vou diminuir bastante a velocidade. Façam o mesmo. O barco pode ter deixado algumas falhas. Não queremos cair nelas.”

E aí fomos nós, de novo em caravana. De novo aos esses pelo litoral e, entretanto, em linha recta pela vasta auto-estrada gelada de Bótnia.

O céu mantinha-se de um branco arroxeado. Emulava a superfície terreste e tornava a comitiva ainda mais insignificante naquele insondável tudo ou nada.

Vencidos vinte minutos e umas dezenas quilómetros, detectamos um vulto negro no horizonte. Quando nos aproximamos, confirmamos o esperado “Sampo”. Detemos as motas a uns cem metros, e cumpridas as apresentações. subimos para o convés pelo portaló de serviço.

Por essa altura, o barco já tinha a bordo dezenas de passageiros embarcados no ponto de partida original, nas imediações de Kemi. Atrás de si, bem demarcado, o canal que abrira para ali chegar, estava repleto de pequenos blocos de gelo que aumentavam e se reforçavam à medida que o tempo passava.

Não tarda, o “Sampo” retoma a sua navegação Golfo de Bótnia adentro, sempre a abrir o gelo bem compacto, e a prolongar o canal que até então formara.

Rafaello, um italiano que trabalhava no navio havia muitos anos apresenta-se da forma calorosa e sedutora que forra a alma de quase todos os latinos. Conduz-nos num périplo pelos recantos mais curiosos do barco e regala-nos com informações a condizer. “Sabem que o “Sampo” tem 76 metros de comprimento mas pesa três vezes mais que um navio de passageiros do mesmo tamanho. Porquê? Porque para quebrar o gelo tem que ser bem mais pesado. Logo por altura da construção, à parte de receber um casco híper-reforçado, foram-lhe adicionadas 100 toneladas de água para permitir que fizesse o seu trabalho. Engraçado não é?”

Quase tudo era engraçado ali a bordo. A começar por ser um italiano a guiar, em inglês, passageiros portugueses de um quebra-gelo finlandês. Depois, tínhamos vindo de uns dias na ilha de Hailuoto, próxima de uma cidade mais para sul, Oulu. Pois, em Hailuoto, um dos nossos cicerones de uma quinta local também se chamava Sampo. Quando estranhamos a abundância do nome e investigamos, damos connosco numa viagem vertiginosa nos domínios da mitologia finlandesa.

Segundo esta, Sampo era um artefacto mágico de tipo indeterminado que beneficiava quem o possuía com boa-sorte e riqueza. Fora construído por Ilmarinem, um deus ferreiro e marteleiro, eterno artífice e inventor por excelência na “Kalevala”. Ora, a “Kalevala”, por sua vez, é o respeitado poema épico nacional que compila o folclore e a mitologia oral finlandesa e da região da Karelia, que a Finlândia viu, em boa parte, perdida para a U.R.S.S., após a Guerra de Inverno entre os dois estados.

Não terá sido coincidência que o nome desse tal artefacto mitológico tenha sido atribuído à embarcação poderosa em que seguíamos. Para começar, ao longo dos tempos, o Sampo mitológico foi interpretado de todas as maneiras e feitios, de pilar ou árvore do mundo, compasso, astrolábio, arca com tesouro, moeda Bizantina, escudo do período sueco Vendel (prévio à Era Viquingue), relíquia cristã, entre outros. Com tal abundância de hipóteses, porque não um quebra-gelo. Na época em que operava na sua plenitude, aquela peculiar geringonça marinha provou-se milagrosa para inúmeras companhias de navegação, empresas exportadoras e importadoras e, claro está, para os habitantes dos dois lados do Golfo de Bótnia.

E como nos deliciamos, a partir da proa, a vê-la quebrar o gelo por diante, se bem que respeitosa para com os resultados das medições da sua espessura feitas e comunicadas ao comandante de tempos a tempos por um tripulante. O barco vivia já a sua velhice. Tratava-se apenas de bom-senso evitar que se metesse em áreas demasiado desafiantes.

Este mesmo “Sampo” agora também cruzeiro de Inverno foi construído entre 1960 e 1961, em Helsínquia para suceder a um outro quebra-gelo homónimo que operou entre 1898 e 1960, o primeiro na Europa com propulsores tanto na proa como na popa.

O “Sampo” substituto que nos transportava manteve faixas navegáveis no extremo norte do Golfo de Bótnia durante quase trinta anos. Desgastado pelo tempo de uso e ultrapassado pela evolução tecnológica, foi comprado pela cidade de Kemi por cerca de 167 mil euros.

Nesse mesmo ano, sem ter sequer começado a operar, o Finnish Tourism Board considerou-o o Melhor Producto Turístico da Finlândia. Em 1988, começou a sua carreira de shuttles turísticos, no mesmo itinerário e “programa de festas” que desfrutávamos. Como quebra-gelo inveterado que se assumia, imobilizava-se durante o Verão árctico, quando em dias de bonança, até barcos insufláveis navegam o Golfo de Bótnia.

Várias milhas náuticas depois, já a maior parte dos passageiros tinham vasculhado o barco e, muitos deles, almoçado a bordo. O “Sampo” voltou a deter-se. Há muito que o navio triturava e abria o gelo sob o seu casco. Estava na hora de os passageiros se banharem na “piscina” assim criada.

Um outro tripulante aborda-nos. Prenda-nos com fatos de mergulho vermelhos integrais e luvas a condizer com os nossos tamanhos. “Apertem tudo bem, não deixem folgas. Se por alguma aselhice deixam alguma desta água entrar, acreditem que é bem pior que o esquentador lá de casa parar de funcionar.” Nas outras tais viagens pela Lapónia Finlandesa, tínhamos mergulhado sem fatos nos quase sagrados avantos suómi, as aberturas que os finlandeses criam em rios ou lagos gelados e em que mergulham após algum tempo de molho nas saunas. Estávamos, assim, algo intrigados quanto ao porquê da obrigatoriedade do seu uso. Não demoraríamos a agradece-la.

Já equipados em estilo de astronautas de calota polar marciana, descemos o portaló e abeirámo-nos do curso aberto pelo navio. Rafaello, dá-nos um OK, e descemos não com um simples mergulho estimulante, como acontecia nos avantos mas devagar devagarinho e com cuidado a condizer.

Os fragmentos de gelo abundavam também naquela secção do canal. Aos 23º negativos que se faziam sentir, renovavam-se e aumentavam de tamanho em contínuo. A tripulação não tinha como os conter ou afastar. Os fatos espessos que nos transformavam em desenhos animados, serviam não só como protecção térmica como de acolchoamento contra as arestas cortantes de tais mini-icebergs.

Assim sendo, divertimo-nos a fazer aquilo que os trajes nos permitiam fazer: flutuar – de preferência de barriga para cima – praticar curtas natações geriátricas e pedirmos para nos registarem o momento que, a cada segundo que passava, para lá de singular, se provava mais idiótico.

Por sorte, a equipa de TV de Taiwan, não esperou que saíssemos para entrar em cena. A produzir conteúdos de um teor assumidamente burlesco, tratou de dar seguimento ao nosso ensaio com personagens especializadas no género.

Com todos os passageiros de novo a bordo, o navio inverteu marcha rumo a Kemi. À chegada, já desembarcados, ainda ficámos uma boa meia-hora sobre o Golfo de Bótnia gelado a circundar e a fotografar aquele quebra-gelo terreno, mesmo real, com o seu quê de mítico, na Finlândia.

Lapónia Finlandesa

Em Busca da Raposa de Fogo

São exclusivas dos píncaros da Terra as auroras boreais ou austrais, fenómenos de luz gerados por explosões solares. Os nativos Sami da Lapónia acreditavam tratar-se de uma raposa ardente que espalhava brilhos no céu. Sejam o que forem, nem os quase 30º abaixo de zero que se faziam sentir no extremo norte da Finlândia nos demoveram de as admirar.

Ilha Hailuoto, Finlândia

À pesca do verdadeiro peixe fresco

Abrigados de pressões sociais indesejadas, os ilhéus de Hailuoto sabem sustentar-se. Sob o mar gelado de Bótnia capturam ingredientes preciosos para os restaurantes de Oulu, na Finlândia continental.

Inari, Finlândia

A Assembleia Babel da Nação Sami

A nação sami é afectada pela ingerência das leis de 4 países, pelas suas fronteiras e pela multiplicidade de sub-etnias e dialectos. Mesmo assim, no parlamento de Inari, lá se vai conseguindo governar

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Helsínquia, Finlândia

A Páscoa Pagã de Seurasaari

Em Helsínquia, o sábado santo também se celebra de uma forma gentia. Centenas de famílias reúnem-se numa ilha ao largo, em redor de fogueiras acesas para afugentar espíritos maléficos, bruxas e trolls

Lapónia, Finlândia

Sob o Encanto Gélido do Árctico

Estamos a 66º Norte e às portas da Lapónia. Por estes lados, a paisagem branca é de todos e de ninguém como as árvores cobertas de neve, o frio atroz e a noite sem fim.

Inari, Finlândia

Os Guardiães da Europa Boreal

Durante muito tempo discriminado pelos colonos escandinavos, finlandeses e russos, o povo Sami recupera o orgulho e autonomia. A 6 de Fevereiro, esta etnia indígena comemora a sua nacionalidade.

Saariselka, Finlândia

O Delicioso Calor do Árctico

Diz-se que os finlandeses criaram os SMS para não terem que falar. Mas o imaginário dos nórdicos frios perde-se na névoa das suas amadas saunas, verdadeiras sessões de terapia física e social.

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Helsínquia, Finlândia

O Design que Veio do Frio

Com parte do território acima do Círculo Polar Árctico, os finlandeses respondem ao clima com soluções eficientes e uma obsessão pela estética e pelo modernismo inspirada pela vizinha Escandinávia.

Ilha Hailuoto, Finlândia

Um Refúgio no Golfo de Bótnia

Durante o Inverno, Hailuoto está ligada à restante Finlândia pela maior estrada de gelo do país. A maior parte dos seus 986 habitantes estima, acima de tudo, o distanciamento que a ilha lhes concede.

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Seydisfjordur
Arquitectura & Design

Seydisfjordur, Islândia

Da Arte da Pesca à Pesca da Arte

Quando a frota pesqueira de Seydisfjordur foi comprada por armadores de Reiquejavique, a povoação teve que se adaptar. Hoje captura discípulos de Dieter Roth e outras almas boémias e criativas.

Aurora fria II
Aventura
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Folia Divina
Cerimónias e Festividades

Pirenópolis, Brasil

Cavalgada de Fé

Introduzida, em 1819, por um padre português, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis agrega uma complexa rede de celebrações. Dura mais de 20 dias, passados, em grande parte, sobre a sela.

A galope
Cidades

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.

Ilha menor
Comida

Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.

Cultura
Espectáculos

A Terra em Cena

Um pouco por todo o Mundo, cada nação, região ou povoação e até bairro tem a sua cultura. Em viagem, nada é mais recompensador do que admirar, ao vivo e in loco, o que as torna únicas.
Desporto
Competições

Uma Espécie Sempre à Prova

Está-nos nos genes. Seja pelo prazer de participar, por títulos, honra ou dinheiro, os confrontos dão sentido à vida. Surgem sob a forma de modalidades sem conta, umas mais excêntricas que outras.
Épico Western
Em Viagem

Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos E.U.A. Hoje, na Navajo Nation, os navajos também vivem na pele dos velhos inimigos.

Transbordo
Étnico

Efate, Vanuatu

A Ilha que Sobreviveu a “Survivor”

Grande parte de Vanuatu vive num abençoado estado pós-selvagem. Talvez por isso, reality shows em que competem aspirantes a Robinson Crusoes instalaram-se uns atrás dos outros na sua ilha mais acessível e notória. Já algo atordoada pelo fenómeno do turismo convencional, Efate também teve que lhes resistir.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Chocolate hills
História

Bohol, Filipinas

Filipinas do Outro Mundo

O arquipélago filipino estende-se por 300.000 km2 de oceano Pacífico. No grupo Visayas, Bohol abriga pequenos primatas com aspecto alienígena e colinas extraterrenas a que chamaram Chocolate Mountains

Fajazinha (Ocaso)
Ilhas
Flores, Açores

Os Confins Inverosímeis de Portugal (e da Europa)

Onde, para oeste, até no mapa as Américas surgem remotas, a Ilha das Flores abriga o derradeiro domínio idílico-dramático açoriano e quase quatro mil florenses rendidos ao fim-do-mundo deslumbrante que os acolheu.
Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Chapéu Lenticular
Natureza

Mount Cook, Nova Zelândia

O Monte Fura Nuvens

O Aoraki/Monte Cook até pode ficar muito aquém do tecto do Mundo mas é a montanha mais imponente e elevada da Nova Zelândia.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Glaciar Meares
Parques Naturais

Prince William Sound, Alasca

Alasca Colossal

Encaixado contra as montanhas Chugach, Prince William Sound abriga alguns dos cenários descomunais do 49º estado. Nem sismos poderosos nem uma maré negra devastadora afectaram o seu esplendor natural.

Em plena costa do Ouro
Património Mundial Unesco

Elmina, Gana 

O Primeiro Jackpot dos Descobrimentos Portugueses

No séc. XVI, Mina gerava à Coroa mais de 310 kg de ouro anuais. Este proveito suscitou a cobiça da Holanda e da Inglaterra que se sucederam no lugar dos portugueses e fomentaram o tráfico de escravos para as Américas. A povoação em redor ainda é conhecida por Elmina mas, hoje, o peixe é a sua mais evidente riqueza.

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Praia soleada
Praia

Miami Beach, E.U.A.

A Praia de Todas as Vaidades

Poucos litorais concentram, ao mesmo tempo, tanto calor e exibições de fama, de riqueza e de glória. Situada no extremo sudeste dos E.U.A., Miami Beach tem acesso por seis pontes que a ligam ao resto da Flórida. É manifestamente parco para o número de almas que a desejam.

Debate ao molho
Religião

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

À pendura
Sobre carris

São Francisco, E.U.A.

Uma Vida aos Altos e Baixos

Um acidente macabro com uma carroça inspirou a saga dos cable cars de São Francisco. Hoje, estas relíquias funcionam como uma operação de charme da cidade do nevoeiro mas também têm os seus riscos.

Sociedade
Militares

Defensores das Suas Pátrias

Detectamo-los por todo o lado, mesmo em tempos de paz. A maior parte dos que encontramos a postos, nas cidades, cumpre apenas missões rotineiras que requerem, acima de tudo, rigor e paciência.
Retorno na mesma moeda
Vida Quotidiana

Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.

Vai-e-vem fluvial
Vida Selvagem

Iriomote, Japão

Uma Pequena Amazónia Japonesa

Florestas tropicais e manguezais impenetráveis preenchem Iriomote sob um clima de panela de pressão. Aqui, os visitantes estrangeiros são tão raros como o yamaneko, um lince endémico esquivo.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.