Ketchikan, Alasca

Aqui Começa o Alasca


Lenha à Pressa

Lenhadores confrontam-se durante o Great Alaskan Lumberjack Show, um dos entretenimentos com que Ketchikan prenda os visitantes.

Creek St.

Casario palafítico da Creek Street, a antiga avenida dos bordéis, instalada sobre o riacho Ketchikan que deu o nome à cidade.

Lá no alto I

Dois lenhadores protagonistas do Great Alaskan Lumberjack Show defrontam-se nas alturas. 

Transfer à moda antiga

Charrete transporta passageiros de um dos muitos cruzeiros que atracam na cidade de fim de Maio a Agosto.

Machadada (quase) final

Lenhador corta um cepo à machadada durante outra prova do Great Alaskan Lumberjack Show.

Avenida Tlingit

Rapariga passeia uma mascote em pleno Parque de Totens tlingit de Saxman. Ketchikan e os arredores abrigam a maior concentração de totens dos E.U.A. 

Lá no alto II

Lenhador do Great Alaskan Lumberjack Show nas alturas de um tronco instalado para a competição. 

durante o Great Alaskan Lumberjack Show.

A caminho

Hidroavião descola de um braço de mar liso, em plenos Misty Fjords.

Em equilíbrio

Lenhadores levam a cabo uma prova de sobre troncos rolantes, durante o Great Alaskan Lumberjack Show.

Creek St. II

Outra perspectiva da Creek Street, com a bandeira dos E.U.A. a sinalizar o patriotismo dos residentes.

Vista Verde

Casal contempla a vista sobre a floresta de Tongass e um dos seus canais, sobre uma ponte nos arredores de Saxman. 

Nova invasão

Cruzeiro assombra o casario de Ketchikan amontoado na base da floresta de Tongass

Natureza exclusiva

Pequeno barco faz realçar a vastidão dos Misty Fjords, um vasto reduto de floresta de Tongass entrecortada por canais marinhos.

Aventuras & Diabrurar

Crianças exploram o litoral rochoso em frente a Saxman, pouco depois do ocaso tardio do Verão alasquense.

A realidade passa despercebida a boa parte do mundo, mas existem dois Alascas. Em termos urbanos, o estado é inaugurado no sul do seu oculto cabo de frigideira, uma faixa de terra separada dos restantes E.U.A. pelo litoral oeste do Canadá. Ketchikan, é a mais meridional das cidades alasquenses, a sua Capital da Chuva e a Capital Mundial do Salmão.

São cinco da madrugada e o dia já despertou há um bom tempo, se é que, em pleno Verão boreal, dormiu de todo. O nevoeiro cerrado não chegou a atrasar o navio do Alaska Marine Highway System em que, desde a manhã anterior, navegávamos pelo labirinto de ilhas, ilhéus e canais que separava Sitka de Ketchikan. A pontualidade do capitão atraiçoa-nos. Vemo-nos obrigados a fechar as mochilas à pressa e a abandonar de emergência o ferry já desolado de passageiros, sem podermos sequer contemplar a frente de casario sortido disposta por diante e a vasta floresta frondosa de acácias e abetos de Tongass que a envolvia.

Malgrado a hora, Christy e Joseph chegam com tempo. O casal que se prestou a acolher-nos na cidade,  dá-nos as boas-vindas à saída do porto e leva-nos para a casa dos pais de Christy. Tinham-nos reservado um quartinho na cave da vivenda tradicional de madeira que o pai erguera, em boa parte, com o suor do seu trabalho. Até se reformar, o senhor foi lenhador nas florestas que preenchem o mapa em redor. Entre outros acidentes, levou com árvores em cima. Partiu as costas e uma perna. Sobreviveu, todavia, às agruras da profissão e, por aquela altura, desfrutava de um merecido e condigno retiro em que, para não abandonar de vez a madeira, se entretinha a fabricar guitarras. Haveríamos de o conhecer e aos filhos melhor à mesa de um jantar que começou com uma oração por todos partilhada, de mãos dadas.

Não tardámos a perceber que Christy e Joseph eram um casal de missionários. Que tinham recentemente viajado por Moçambique, África do Sul, Índia e outros países, num misto de voluntariado e de descoberta do mundo. O acolhimento providencial que nos tinham concedido era mais um dos seus projectos benevolentes.

Até ao repasto, instalamo-nos e ouvimos as instruções que os anfitriões nos passam. Em seguida, eles vão à sua vida. Nós, tínhamos todo um pseudo-plano de descoberta de Ketchikan para pôr em prática.

Estávamos 1100 km a norte de Seattle. O grosso desta vastidão integra a província canadiana da Colúmbia Britânica e isola o Alasca, o 49º estado dos E.U.A., dos chamados Lower 48. Isolamento era também algo a que Ketchikan estava habituada. A quinta maior cidade do Alasca até tem quase 14.000 habitantes permanentes, muitos mais de Maio a Agosto, quando é inundada de migrantes e imigrantes ávidos por ocuparem um dos inúmeros postos de trabalho que o turismo gera. Ainda assim, a próxima cidade digna desse nome, Juneau, a capital do Alasca, dista quase 400 km.

Até ao século XVIII, o lugar não passava de um acampamento que os nativos tlingits usavam para pescar o peixe ali abundante. Com o passar dos anos, essa abundância e a de madeira atraiu colonos e estes compraram terras aos nativos. Em 1886, abriu uma primeira fábrica de conservas de salmão, junto à foz do riacho Ketchikan. Até 1936, outras seis tinham sido abertas e granjearam-lhe o título de Capital Mundial do Salmão enlatado. Hoje, além do salmão, sustentam a economia enormes viveiros de trutas de várias espécies, instaladas a meia-encosta da montanha de Deer, com uma vista privilegiada sobre a cidade e o vasto canal do Pacífico do Norte em que se instalou.

Ketchikan ficou ainda célebre como a First City, por ser a que primeiro aparece na rota sul-norte da Alaskan Marine Highway. Mas também podia ser chamada de Thin City. À boa moda da longa panhandle alasquense, o espaço costeiro ocupado pela cidade na ilha remota de Revillagigedo é de tal forma esguio que o seu aeroporto teve que ser construído numa ilha ao largo.

Já no século XX, foram descobertos ouro e cobre nas imediações. Mas, depois do salmão, foi a actividade madeireira que ocupou a maior parte dos residentes, empregues pela gigantesca produtora de pasta de papel Ketchikan Pulp e pela serração Louisiana Pacific, isto até por volta de 1970, quando a nova consciência ecológica cívica governamental barrou temporariamente a produção da empresa e deixou no desemprego centenas de trabalhadores.

Como aconteceu a algumas companheiras a norte, na década de 90, Ketchikan conquistou o novo estatuto de capital dos cruzeiros. Deixou o turismo amarar em definitivo e passou a receber mais de dez embarcações por dia e quase um milhão de passageiros durante os três meses e meio estivais.

A mudança dividiu a população. A uns agradou a abundância de empregos – ainda que sazonais – e os salários chorudos. Outros, recriminaram o antro comercial em que havia degenerado a baixa, onde muitas das lojas pertencem às poderosas companhias de cruzeiros e só abrem no Verão. Mal o Estio dá lugar ao longo Inverno, essas empresas dedicam-se apenas e só a paragens das Caraíbas. Os seus estabelecimentos locais deixam de ter uso e têm que ser protegidos das sucessivas chuvadas, nevões e ventanias. São vedados com placas resistentes de contraplacado que as crianças e os adolescentes escolares pintam para suavizar o visual fantasmagórico com que, de outra forma, a baixa se veria.

A modernização e internacionalização de Ketchikan levou-lhe boa parte da alma tlingit, mesmo se os tlingits resistentes se esforçaram por preservar o legado da sua cultura. Ketchikan tem, por exemplo, a maior colecção do mundo de totens.

Nessa tarde, confrontamo-nos com vários deles no Parque de totens de Saxman, um arredor com menos de quinhentos moradores, também ele cercado pela imensidão de abetos de Tongass. Dali, regressamos ao centro da cidade e apreciamos um tratamento dos troncos não tão criativo ou espiritual, mas, de igual forma emblemático, da região.

Até 1970, centenas de lenhadores entregaram as suas vidas à floresta circundante. A árdua e arriscada actividade conquistou uma reputação insuspeita entre a comunidade local. De tal maneira que distintas povoações começaram a organizar competições que envolviam as várias artes do ofício. Com o Canadá ali ao lado, essas disputas tornaram-se internacionais. Mais recentemente, o turismo assoberbou muitas das cidades e lugarejos do cabo de frigideira alasquense. Christy e Joseph contam-nos que mal os visitantes do sul dos E.U.A. põem os pés em terra, renovam um rol de perguntas escabrosas e até algo insultuosas para os moradores: “onde é que podemos encontrar os iglôs e os esquimós”, “posso pagar com dólares americanos” etc., etc.

Ao mesmo tempo, em Ketchikan, tudo serviu para entreter os forasteiros desinformados e endinheirados que lá desembarcam todos os Verões e lhes subtrair o máximo de dólares. Os enfrentamentos de lenhadores não fugiram à regra.

Quando entramos no recinto do Great Alaskan Lumberjack Show, as bancadas já estão à pinha. Uma apresentadora estridente apresenta as equipas concorrentes: uma selecção dos E.U.A. contra outra canadiana. Introduz as sucessivas provas com piadas fáceis que geram gargalhadas (des)comunais. Durante mais de uma hora, os representantes trajados a rigor de calças de ganga presas por suspensórios sobre camisas de manga curta confrontam-se a cortar cepos à machadada. Serram troncos sobre o solo. E outros, erguidos a boa altura na vertical e que se prendem com arneses. Lutam ainda sobre madeiros flutuantes e rolantes e por aí fora. No final, como não podia deixar de ser, triunfa a equipa dos E.U.A.. O público volta a rejubilar. Disputa fotografias com os lenhadores em que estes posam como os heróis da serra e do machado com que a multidão americana, sempre ávida de heróis, se quer ver. Ali, mesmo ao lado, o espectáculo é contínuo.

Instalada sobre passadiços de madeira que acompanham o rio Ketchikan, a colorida Creek Street é formada por grandes palafitas coloridas anichadas no sopé da floresta de Tongass. Nos tempos da corrida alasquense ao ouro, esta rua acolhia o concorrido Red District da cidade. Com mais de trinta bordéis, dizia-se que era o único lugar do Alasca em que tanto os peixes como os pescadores subiam o rio para desovar. Tal como então, com o mês de Junho, os salmões chegam ao leito que, extenuados pelo já longo percurso marinho e no fim do seu ciclo de vida, tentam, contra o tempo e a corrente, subir. Um grupo de miúdos estacionados sobre a ponte de campanha que cruza o rio pesca-os. Debruçado sobre uma janela verde-amarela de uma das casas pitorescas, um cão com metade da face branca e a outra negra, observa-os, intrigado e ladra de cada vez que os desafortunados peixes se contorcem fora de água.

Hoje, os velhos bordéis são todos lojas de souvenires aperaltadas. Abrem e fecham consoante os cruzeiros atracam e zarpam. Vendem a preços exorbitantes e publicitam mensagens nacionalistas como “Nothing Made in China here. All 100% natural and Made in Alaska.”

As duas ou três prostitutas à porta de bares não passam de figurantes. Usam rendas vermelhas e adaptam poses e trejeitos da mais velha das profissões mas são pagas apenas para conversar e se fotografarem com os forasteiros.

Outro título da lista de “capitais” detida por Ketchikan é o de capital alasquense da chuva. Segundo nos relatam, em nenhuma outra cidade do estado a pluviosidade é tão regular e persistente. Ainda assim, tal como nos acontecera em quase todo o périplo pelo Grande Norte, os dias sucedem-se quentes e com céu limpo. De tal maneira que, com excepção para o pós-ocaso, nos mantemos de manga curta.

De regresso a casa, Christy e Joseph congratulam-se pela sorte meteorológica que afiançam que trouxemos à cidade. “Isto começou mesmo quando vocês desembarcaram e tem-se prolongado. De certeza que não querem ficar mais uns tempos?”.

Aproveitamos tanto a bonança como a resiliência da luz solar, para, na sua companhia, explorarmos zonas limítrofes e bem mais genuínas da povoação. Levam-nos a uma antiga serração instalada sobre estacas, agora abandonada às marés e aos elementos. Nas imediações, uma ursa negra caça salmões, incomodada pelas suas duas crias irrequietas que só não lhe espantam as presas porque os peixes estão no encerrar moribundo das suas vidas.

Regressamos à cidade já depois das onze da noite, com o sol a pôr-se, a lua a insinuar-se-lhe no firmamento e a maré mais vaza do que alguma vez tínhamos visto. Detemo-nos à beira mar numa península no prolongamento de Saxman. Um bando de crianças, sem horas para voltar a casa, vasculha o litoral rochoso em busca de aventura. Não tardamos a partilhar da sua fortuna. Ali, mesmo à nossa frente, um grupo de baleias de bossa convive e alimenta-se com graciosidade. Um novo lusco-fusco boreal que faz brilhar as suas peles luzidias instala-se para durar. Tinham passado três dias. Na manhã seguinte, despedimo-nos de Christy e Joseph. Deixamos aquele confim meridional do Alasca e voamos para Anchorage, a sua maior cidade e mais famosa porta de entrada.

Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum. 

Denali, Alasca

O Tecto Sagrado da América do Norte

Os indígenas Athabascan chamaram-no Denali, ou o Grande e reverenciam a sua altivez. Esta montanha deslumbrante suscitou a cobiça dos montanhistas e uma longa sucessão de ascensões recordistas.

Sitka, Alasca

Memórias de Uma América que Já foi Russa

134 anos após o início da colonização, o czar Alexandre II teve que vender parte do actual 49º estado dos EUA. Em Sitka, encontramos heranças desses colonos e dos nativos que os combateram.

Juneau, Alasca

Na Capital Diminuta do Grande Norte

De Junho a Agosto, Juneau desaparece por detrás dos navios de cruzeiro que atracam na sua doca-marginal. Ainda assim, é nesta cidade ínfima que se decidem os destinos do 49º estado norte-americano.

Talkeetna, Alasca

Vida à Moda do Alasca

Em tempos um mero entreposto mineiro, Talkeetna rejuvenesceu, em 1950, para servir os alpinistas do Monte McKinley. A povoação é, de longe, a mais alternativa e cativante entre Anchorage e Fairbanks.

Prince William Sound, Alasca

Alasca Colossal

Encaixado contra as montanhas Chugach, Prince William Sound abriga alguns dos cenários descomunais do 49º estado. Nem sismos poderosos nem uma maré negra devastadora afectaram o seu esplendor natural.

Katmai, Alasca

Nos Passos do Grizzly Man

Timothy Treadwell conviveu Verões a fio com os ursos de Katmai. Em viagem pelo Alasca, seguimos alguns dos seus trilhos mas, ao contrário do protector tresloucado da espécie, nunca fomos longe demais.

Valdez, Alasca

Na Rota do Ouro Negro

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez provocou um enorme desastre ambientai. A embarcação deixou de sulcar os mares mas a cidade vitimada que lhe deu o nome continua no rumo do crude do oceano Árctico.

Skagway, Alasca

Uma Variante da Corrida ao Ouro do Klondike

A última grande febre do ouro norte-americana passou há muito. Hoje em dia, centenas de cruzeiros despejam, todos os Verões, milhares de visitantes endinheirados nas ruas repletas de lojas de Skagway.

Seward, Alasca

O 4 de Julho Mais Longo

A independência dos E.U.A. é festejada, em Seward, de forma modesta. Para compensar, na cidade que honra o homem que prendou a nação com o seu maior estado, a data e a celebração parecem não ter fim.

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.

Minhocas
Arquitectura & Design

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Lagoas fumarentas
Aventura

Tongariro, Nova Zelândia

Os Vulcões de Todas as Discórdias

No final do século XIX, um chefe indígena cedeu os vulcões de Tongariro à coroa britânica. Hoje, parte significativa do povo maori continua a reclamar aos colonos europeus as suas montanhas de fogo.

Cansaço em tons de verde
Cerimónias e Festividades

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Bar sobre o grande estuário
Cidades

Sydney, Austrália

De Desterro de Criminosos a Cidade Exemplar

A primeira das colónias australianas foi erguida por reclusos desterrados. Hoje, os aussies de Sydney gabam-se de antigos condenados da sua árvore genealógica e orgulham-se da prosperidade cosmopolita da megalópole que habitam. 

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Verificação da correspondência
Cultura

Rovaniemi, Finlândia

Árctico Natalício

Fartos de esperar pela descida do velhote de barbas pela chaminé, invertemos a história. Aproveitamos uma viagem à Lapónia Finlandesa e passamos pelo seu furtivo lar. 

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

As Cores da Ilha Elefante
Em Viagem

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As forças ocupantes
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Lenha
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Um Lobo Pouco Solitário

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Sombra vs Luz
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O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Perigo de praia
Natureza

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

O louro da selva
Parques Naturais

Costa Rica

Um Fenómeno da Natureza

A Costa Rica tem uma das democracias mais antigas do mundo, abdicou de exército e quase não passou por ditaduras. Mas o que salta à vista é a forma incomum como preserva o seu meio-ambiente exuberante.

Praia Islandesa
Património Mundial Unesco

Islândia

O Aconchego Geotérmico da Ilha do Gelo

A maior parte dos visitantes valoriza os cenários vulcânicos da Islândia pela sua beleza. Os islandeses também deles retiram calor e energia cruciais para a vida que levam às portas do Árctico.

De visita
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Rússia

O Escritor que Não Resistiu ao Próprio Enredo

Alexander Pushkin é louvado por muitos como o maior poeta russo e o fundador da literatura russa moderna. Mas Pushkin também ditou um epílogo quase tragicómico da sua prolífica vida.

Promessa?
Praia
Goa, Índia

Para Goa, Rapidamente e em Força

Uma súbita ânsia por herança tropical indo-portuguesa faz-nos viajar em vários transportes mas quase sem paragens, de Lisboa à famosa praia de Anjuna. Só ali, a muito custo, conseguimos descansar.
Em louvor do vulcão
Religião

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Hinduísmo Balinês Numa Ilha do Islão

A fundação da Indonésia assentou na crença num Deus único. Este princípio ambíguo sempre gerou polémica entre nacionalistas e islamistas mas, em Lombok, os balineses levam a liberdade de culto a peito

A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

Sphynx
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Ronronares Descartáveis

Tóquio é a maior das metrópoles mas, nos seus apartamentos exíguos, não há lugar para mascotes. Empresários nipónicos detectaram a lacuna e lançaram "gatis" em que os afectos felinos se pagam à hora.

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Repete-se em quase todas as paragens em povoações dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilômetros de Nampula, fruta tropical é coisa que não falta.
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Eurides Fátima de Barros nasceu no interior da região de Miranda. Há 38 anos, instalou-se e a um pequeno negócio à beira da BR262 que atravessa o Pantanal e ganhou afinidade com os jacarés que viviam à sua porta. Desgostosa por, em tempos, as criaturas ali serem abatidas, passou a tomar conta delas. Hoje conhecida por Maria dos Jacarés, deu nome de jogador ou treinador de futebol a cada um dos bichos. Também garante que reconhecem os seus chamamentos.
Aterragem sobre o gelo
Voos Panorâmicos

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.