Grand Canyon, E.U.A.

América do Norte Abismal


Sombras Quentes

Silhuetas difusas do Grand Canyon criadas pelo pôr-do-sol a ocidente.

Canyon do pote de ouro

Nuvens carregadas sobre o Grand Canyon geram um arco-íris resplandecente.

Uma vista descomunal

Silhueta de um visitante que admira a vastidão profunda do Grand Canyon.

Uma homenagem aos Hopi

Visitantes do Grand Canyon em diferentes andares da torre de vigia Desert View, erguida em 1932 para promover a cultura indígena mas que despertou bastante controvérsia.

À moda antiga

Muleiro conduz uma visitante numa incursão guiada sobre mulas ao fundo do Grand Canyon.

Vista binocular

Adolescente asiática observa as profundezas do Grand Canyon com binóculos.

Rugas do tempo

Sucessivas falésias multicolores esculpidas pelo fluir pré-histórico do rio Colorado e dos seus afluentes. 

All aboard

Maquinista prepara-se para subir a bordo da locomotiva de uma das composições do Grand Canyon Railway

Grand Canyon em fogo

Crepúsculo "incendeia" o céu por cima do Grand Canyon.

Um afecto improvável

Mula e muleiro num momento de diversão antes de nova descida às profundezas do Grand Canyon.

De olho nos humanos

Corvo oportunista observa a movimentação de visitantes que admiram o Grand Canyon.

Trio contemplador

Trio admira a vastidão talhada do Grand Canyon a partir de uma enorme laje.

Sombras Quentes II

Silhuetas de visitantes que contemplam o pôr-do-sol a partir de uma beira elevada do Desert View Point.

O grande Colorado

O rio colorado flui no fundo do Grand Canyon, com enorme volume de água e a grande velocidade.

Grand Drinks

Visitante escolhe uma bebida de máquinas de venda do Desert View Point iluminadas com imagens do Grand Canyon.

O rio Colorado e tributários começaram a fluir no planalto homónimo há 17 milhões de anos e expuseram metade do passado geológico da Terra. Também esculpiram uma das suas mais deslumbrantes entranhas.

Desarmados pelos preços exorbitantes dos quartos nas imediações do parque nacional, acabámos por eleger, para base de sucessivos vaivéns rodoviários,  um dos vários retalhos históricos da velha Route 66 perdidos no vasto Arizona. Situad

a a quase 100 km, Williams provou-se uma pequena povoação em estilo Main Street América, bissectada pela estrada emblemática e em que, apenas na aparência, pouco mudara no tempo. E, no entanto, em plena franja do território índio Hualapai, quase só indianos geriam as dezenas de motéis geminados de ambos os lados da via.

O crepúsculo tomava conta do vilarejo e fazia resplandecerem dezenas de placards de néon quando, estasiados de uma viagem que já vinha do longínquo litoral californiano do oceano Pacífico, demos entrada num desses abrigos práticos mas sem vestígio de alma.  

Dormimos bem mais que o que precisávamos. Despertámos para um novo dia de céu azul e sol radioso. Mesmo conscientes de que, por essa hora, parte substancial dos hóspedes de Williams embarcavam no comboio a vapor do Grand Canyon Railway com destino ao Grand Canyon, mantivemo-nos fiéis ao nosso velhinho mas fiável Buick Le Sabre. Fizemo-nos ao norte pelas rectas sem fim das Highways 64 e 180, nesta última, ao longo de uma tal de floresta Kaibab pejada de pinheiros Ponderosa que prenunciavam o término forçado do percurso. Uma hora depois, cruzámos o portal sul e demos entrada na Grand Canyon Village. Ansiosos por recompensar os sentidos, seguimos de imediato em direcção ao abismo. Quando o confrontámos, percebemos, por fim, porque tantos viajantes o consideram o cenário supremo dos Estados Unidos.

Para diante, estendia-se um domínio caprichosamente esculpido até às profundezas, retalhado em camadas e colunas multicolores de rocha das mais diversas eras em que algumas nuvens tresmalhadas, seduzidas por tal sumptuosidade e complexidade geológica, disputavam fascinantes jogos de sombras.

Por instantes, ficámos de queixo caído. Aproveitámos o deslumbramento para recuperar a respiração cortada a meias pelo panorama e pela rarefacção própria daqueles 2200 metros de altitude a que estávamos mas que a fundura (quase 1900 metros) e dimensão incrível do precipício (446 km por 29 km) mal deixava perceber.

Admirámo-lo a partir do Yavapai Point, um miradouro que honra um dos vários povos indígenas da zona, logo do Mather Point e, enquanto saltitávamos na Desert View Drive pela beira elevada da Orla sul, de outros pontos de observação com varandas naturais instaladas sobre reentrâncias vertiginosas.

De oeste para leste, percebemos a visão do leito distante e esquivo do rio Colorado ser favorecida pela configuração do relevo. Por altura do Lipan Point, o grande responsável fluvial daquela mutilação da superfície terrestre, submeteu-se a meandros apertados para logo fluir, quase desafogado pelas terras bem mais regulares a oriente do Tanner Canyon.

Prevalece um intenso debate entre os cientistas mas os últimos estudos têm defendido que o rio Colorado estabeleceu o seu curso e começou a talhar a sua bacia exuberante no Planalto do Colorado há 17 milhões de anos. A enorme profundidade – nem assim a maior do Mundo que se situa na garganta nepalesa de Kai Gandaki – e a altitude superlativa das suas vertentes, a maioria formadas abaixo do nível do mar, deve-se a um levantamento massivo (de entre 1500 a 3000 metros) do Planalto do Colorado há mais de 60 milhões de anos. Este levantamento tornou maior a gradiente do caudal do rio Colorado e dos seus afluentes o que incrementou dramaticamente a velocidade a que fluem e a sua capacidade de desgaste da rocha. As condições climáticas durante as eras glaciais também aumentaram a quantidade de água drenada na bacia, o que voltou a reforçar o processo de erosão.

Chegámos ao limiar leste do Grand Canyon e demos com o edifício mais alto da Orla Sul. À primeira vista, a torre cilíndrica pareceu-nos uma velha ruína nativo-americana. No seu interior dividido em quatro andares, constatámos que se tratava de uma de várias construções do início dos anos 30 para uma empresa de nome Fred Harvey que ainda hoje promove a cultura e a arte nativo- americana. Foi erguida com inspiração numa kiva, uma estrutura usada nas práticas espirituais de vários povos Pueblos e com base numa sólida estrutura metálica que suportou o actual revestimento com visual indígena fidedigno, porque conseguido com pedras criteriosamente seleccionadas.

Para a inauguração, o mentor da empresa escolheu um ritual de bênção tradicional da etnia Hopi, com cantos, danças e discursos. Em seguida, os convidados desfrutaram de uma refeição típica acabada de cozinhar por mulheres indígenas. Nem assim, a torre de vigia se provou consensual. Parte do pessoal do parque apoiou-a mas os encarregues pela interpretação da natureza embirraram com a novidade. “Destaca-se da paisagem como um polegar ferido e chamar-lhe torre de vigia índia é, no mínimo, enganador.” Desabafou, então, Edwin McKee, o líder dos naturalistas.

O monumento resistiu à polémica e às frequentes intempéries. Aproveitámos para subir a sua rampa em cornucópia até ao último andar de onde sabíamos que a vista seria privilegiada. Vimos ainda mais do Colorado, tanto do rio – que adiante gerava um Little Colorado – como do planalto homónimo que, para lá do seu leito, se travestia da paisagem que os nova-iorquinos 10,000 Maniacs exaltam em “The Painted Desert”, um dos seus mais famosos temas. “The Painted Desert can wait ‘till Summer. We’ve played this game of just imagine long enough...” canta Natalie Merchant, desiludida com uma relação amorosa com alguém a quem deseja ardentemente juntar-se e que lhe conta as suas peripécias no Grande Canyon e redondezas mas que adia vezes sem conta a união.

O entardecer não falhou. Trouxe um frio fulminante que nos apanhou numa caminhada mais longa que o esperado por um trilho íngreme. De regresso ao cimo, aconchegámo-nos os dois no interior do carro para evitarmos enregelar. Em simultâneo, o sol punha-se a ocidente do desfiladeiro gigantesco do rio. Desfazia-se de tal maneira sobre as incontáveis silhuetas das suas falésias e no céu acima que mais parecia ter incendiado o Arizona. Recuperados da iminente hipotermia, cedemos à sedução do cenário incandescente e voltámos à beira do canyon. Dali, na companhia de alguns outros Neros obscurecidos pela penumbra, extasiámo-nos a observar como o fogo celeste se extinguia e deixava o firmamento de um laranja-amarelado cada vez mais ténue.

Recolhemos ao longínquo motel de Williams. “E então, gostaram do Canyon?” pergunta-nos o recepcionista indiano que nos recebera no dia anterior, um quarentão hindu de Gujarat. “Eu estou cá há dois anos e só o espreitei uma única vez. Sabem como é, quem vem da Índia pobre e acha uma oportunidade nos States, dá prioridade é ao trabalho. Ainda hei-de lá voltar e explorar mais do Oeste!” 

Nova alvorada, nova viagem ao abismo, cumprida ainda mais depressa que no dia anterior. Por estes lados, tendo em conta a qualidade das estradas norte-americanas só mesmo o Grand Canyon levanta barreiras intransponíveis à deslocação. A sua Orla Norte fica a menos de 20 km da Orla Sul. Como era de esperar, nem as autoridades federais nem as estaduais alguma vez se atreveram a propor a construção de uma ponte sobre a jóia da coroa dos parques nacionais dos E.U.A. Se lá quiséssemos chegar, teríamos que enfrentar 350 km rodoviários. 

A saga da óbvia intransponibilidade do Grand Canyon vem, aliás, de há muito. Os índios Hopi já o habitavam e percorriam há séculos quando chegaram os primeiros europeus. Em 1540, o capitão espanhol Garcia Lopez de Cardenas e um pequeno grupo de soldados procuravam as então badaladas Sete Cidades de Cibola quando chegaram à sua borda, auxiliados por guias nativos. Três dos homens desceram um terço do declive mas tiveram que regressar ao cimo por não terem água suficiente. “Alguns dos rochedos lá em baixo são maiores que a torre de Sevilha” reportaram. Vários historiadores defendem que os indígenas evitaram revelar-lhes os trilhos para o rio Colorado e que nenhum europeu voltou a visitar o canyon nos duzentos anos que se seguiram. Só quase no fim do século XVIII, padres hispânicos em busca de uma rota entre Santa Fé e a Califórnia encontraram um caminho, conhecido como a “Passagem dos Padres”. Hoje, esse trilho está debaixo da água do gigantesco lago artificial Powell que visitaríamos mais tarde.

Tentámos juntar-nos a uma das caravanas de mulas organizadas pelo parque  e replicar as suas travessias históricas mas só teríamos vaga daí a uns bons dias. O muleiro de serviço mostrou-se solidário com a nossa frustração. Para compensar, deixou-nos acariciar duas das suas mulas com quem falava como se fossem filhas. “Daqui a pouco estamos a descer de novo, Lulu.” Já não te estava a apetecer nada, não é? Mas vai ter que ser!” Lulu reconhece o nome e o afecto. Esfrega o focinho no seu dono pitoresco e inaugura uma exibição de carinho que não esperávamos de tais criaturas.

O vento aumentou a olhos vistos. Trouxe uma tempestade que cobriu a zona de nuvens plúmbeas. Em três tempos, caíram aguaceiros localizados e um enorme arco-íris projectou-se do fundo das falésias até ao céu carregado. Nessa tarde, a tempestade ainda passou e o vento diminuiu o suficiente para alguns dos helicópteros que sobrevoam o canyon voltarem à actividade. Embarcámos num e desbravámos o grande cenário a partir do ar na companhia de um grupo de japonesas que, em pânico devido à turbulência, não conseguiam disfarçar a sua agonia, muito menos apreciar o fundo grandioso em que temiam despenhar-se.

Aterrámos sãos e a salvo. Continuámos até ao limite oeste de Hermits Rest onde repousámos um bom tempo a contemplar a vista ainda e sempre inacreditável. O Grand Canyon, esse, estendia-se para ocidente por muitos mais quilómetros profundos e inacessíveis.

Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.

Fish River Canyon, Namíbia

As Entranhas Namibianas de África

Quando nada o faz prever, uma vasta ravina fluvial esventra o extremo meridional da Namíbia. Com 160km de comprimento, 27km de largura e, a espaços, 550 metros de profundidade, o Fish River Canyon é o grande canyon de África. E um dos maiores desfiladeiros à face da Terra.

Tombstone, E.U.A.

A Cidade Demasiado Dura para Morrer

Filões de prata descobertos no fim do século XIX fizeram de Tombstone um centro mineiro próspero e conflituoso na fronteira dos Estados Unidos com o México. Lawrence Kasdan, Kurt Russel, Kevin Costner e outros realizadores e actores hollywoodescos tornaram famosos os irmãos Earp e o duelo sanguinário de “O.K. Corral”. A Tombstone que, ao longo dos tempos tantas vidas reclamou, está para durar.

Monument Valley, E.U.A.

Índios ou cowboys?

Realizadores de Westerns emblemáticos como John Ford imortalizaram aquele que é o maior território indígena dos E.U.A. Hoje, na Navajo Nation, os navajos também vivem na pele dos velhos inimigos.

Navajo Nation, E.U.A.

Por Terras da Nação Navajo

De Kayenta a Page, com passagem pelo Marble Canyon, exploramos o sul do Planalto do Colorado. Dramáticos e desérticos, os cenários deste domínio indígena recortado no Arizona revelam-se esplendorosos.

Vale da Morte, E.U.A.

O Ressuscitar do Lugar Mais Quente

Desde 1921 que Al Aziziyah, na Líbia, era considerado o lugar mais quente do Planeta. Mas a polémica em redor dos 58º ali medidos fez com que, 99 anos depois, o título fosse devolvido ao Vale da Morte.

Albuquerque, E.U.A.

Soam os Tambores, Resistem os Índios

Com mais de 500 tribos presentes, o "Gathering of the Nations" celebra o que de sagrado subsiste das culturas nativo-americanas. Mas também revela os danos infligidos pela civilização colonizadora.

Um
Arquitectura & Design

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Aventura
Vulcões

Montanhas de Fogo

Rupturas mais ou menos proeminentes da crosta terrestre, os vulcões podem revelar-se tão exuberantes quanto caprichosos. Algumas das suas erupções são gentis, outras provam-se aniquiladoras.
A Crucificação em Helsínquia
Cerimónias e Festividades

Helsínquia, Finlândia

Uma Via Crucis Frígido-Erudita

Chegada a Semana Santa, Helsínquia exibe a sua crença. Apesar do frio de congelar, actores pouco vestidos protagonizam uma re-encenação sofisticada da Via Crucis por ruas repletas de espectadores.

Coreografia pré-matrimonial
Cidades

Old Jaffa, Israel

Onde Assenta a Cidade que Nunca Pára

Telavive é famosa pela noite mais intensa do Médio Oriente. Mas, se os seus jovens se divertem até à exaustão nas discotecas à beira Mediterrâneo, é cada vez mais na vizinha Old Jaffa que dão o nó.

Comida
Margilan, Usbequistão

Um Ganha-Pão do Usbequistão

Numa de muitas padarias de Margilan, desgastado pelo calor intenso do forno tandyr, o padeiro Maruf'Jon trabalha meio-cozido como os distintos pães tradicionais vendidos por todo o Usbequistão
Cultura
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Bark Europa
Em Viagem

Canal Beagle, Argentina

No Rumo da Evolução

Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

Em manobras
Étnico

Fianarantsoa-Manakara, Madagáscar

A Bordo do TGV Malgaxe

Partimos de Fianarantsoa às 7a.m. Só às 3 da madrugada seguinte completámos os 170km para Manakara. Os nativos chamam a este comboio quase secular Train Grandes Vibrations. Durante a longa viagem, sentimos, bem fortes, as do coração de Madagáscar.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Celebração Nahuatl
História

Cidade do México, México

Alma Mexicana

Com mais de 20 milhões de habitantes numa vasta área metropolitana, esta megalópole marca, a partir do seu cerne de zócalo, o pulsar espiritual de uma nação desde sempre vulnerável e dramática.

Manhã cedo no Lago
Ilhas

Nantou, Taiwan

No Âmago da Outra China

Nantou é a única província de Taiwan isolada do oceano Pacífico. Quem hoje descobre o coração montanhoso desta região tende a concordar com os navegadores portugueses que baptizaram Taiwan de Formosa.

Frígida pequenez
Inverno Branco

Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor” mas Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.

Suspeitos
Literatura

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de “Crime e Castigo”

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Caribe rosado
Natureza

PN Henri Pittier, Venezuela

Entre o Mar das Caraíbas e a Cordilheira da Costa

Em 1917, o botânico Henri Pittier afeiçoou-se à selva das montanhas marítimas da Venezuela. Os visitantes do parque nacional que este suíço ali criou são, hoje, mais do que alguma vez desejou

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

À sombra da árvore
Parques Naturais

PN Tayrona, Colômbia

Quem Protege os Guardiães do Mundo?

Os indígenas da Serra Nevada de Santa Marta acreditam que têm por missão salvar o Cosmos dos “Irmãos mais Novos”, que somos nós. Mas a verdadeira questão parece ser: "Quem os protege a eles?"

Enseada do Éden
Património Mundial Unesco

Praslin, Seichelles

O Éden dos Enigmáticos Cocos-do-Mar

Durante séculos, os marinheiros árabes e europeus acreditaram que a maior semente do mundo, que encontravam nos litorais do Índico com forma de quadris voluptuosos de mulher, provinha de uma árvore mítica no fundo dos oceanos.  A ilha sensual que sempre os gerou deixou-nos extasiados.

Lenha
Personagens

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Pura Vida em risco
Praia

Montezuma, Costa Rica

Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

Glamour vs Fé
Religião

Goa, Índia

O Último Estertor da Portugalidade Goesa

A proeminente cidade de Goa já justificava o título de “Roma do Oriente” quando, a meio do século XVI, epidemias de malária e de cólera a vetaram ao abandono. A Nova Goa (Pangim) por que foi trocada chegou a sede administrativa da Índia Portuguesa mas viu-se anexada pela União Indiana do pós-independência. Em ambas, o tempo e a negligência são maleitas que agora fazem definhar o legado colonial luso.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Autoridade bubalina
Sociedade

Ilha do Marajó, Brasil

A Ilha dos Búfalos

Uma embarcação que transportava búfalos da Índia terá naufragado na foz do rio Amazonas. Hoje, a ilha de Marajó que os acolheu tem a maior manada bubalina e o Brasil já não passa sem estes bovídeos.

Vida Quotidiana
Enxame, Moçambique

Área de Serviço à Moda Moçambicana

Repete-se em quase todas as paragens em povoações dignas de aparecer nos mapas. O machimbombo (autocarro) detém-se e é cercado por uma multidão de empresários ansiosos. Os produtos oferecidos podem ser universais como água ou bolachas ou típicos da zona. Nesta região a uns quilômetros de Nampula, fruta tropical é coisa que não falta.
Devils Marbles
Vida Selvagem

Alice Springs a Darwin, Austrália

A Caminho do Top End

Do Red Centre ao Top End tropical, a Stuart Hwy percorre mais de 1.500km solitários através da Austrália. Nesse trajecto, a grande ilha muda radicalmente de visual mas mantém-se fiel à sua alma rude.

Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.