Hobart, Austrália

A Porta dos Fundos da Austrália


Fila muito pouco indiana

Família regressa a casa após um passeio diversificado pela zona ribeirinha de Hobart.

Arte encaixotada

Artista de rua aguarda a sua vez de actuar no mercado de Salamanca Square.

Mercado de Salamanca Square

É sábado de manhã e um multidão examina as tendas do mercado mais famoso de Hobart.

Momento Kodak

Prédios clássicos contra outros mais modernos, em Elisabeth Street, uma rua pedestre de Hobart.

Basta ter cabeça

Manequins com chapéus numa tenda do mercado de Salamanca Square.

Bancada improvisada

Homem empoleirado segura uma criança.

Vista abrigada

Infra-estrutura do miradouro do Monte Wellington (1.210m) de onde se avista o casario de Hobart.

Reflexo regulável

Vendedora de chapéus do mercado de Salamanca Square segura o espelho a uma compradora.

A Salvo do Mar da Tasmânia

Embarcações ancoradas numa doca de Hobart.

Escócia na Oceania

Pormenor dos kilts usados por um grupo de gaiteiros a actuar sábado de manhã, no mercado de Salamanca Square.

Mako Sea Food

Veleiros atracados junto a uma de várias marisqueiras do porto de Hobart.

Mascote virtual

Pintura ilusória numa fachada da rua Tony Haigh.

Design "Tassie"

Mulher passa em frente a uma banca de produtos "tassie" criativos.

Fôlego Infinito

Gaiteiro toca durante o mercado de Salamanca Square.

Trio Improviso

Adolescentes tocam numa rua, em pleno mercado de Salamanca Square por alguns dólares australianos.

Propriedade Horizontal

Vivendas ocupam toda uma encosta nas imediações de Hobart.

Estilo Salamanca "Tassie"

Angariador de um restaurante à entrada de um beco peculiar que sai de Salamanca Square.

Hobart ao Longe

Vista do miradouro do Monte Wellington com Hobart e o mar da Tasmânia em fundo.

El Diabolero

Artista de rua leva a cabo o seu número, cercado de visitantes do mercado de Salamanca Square.

Elegância Double Decker

Amigos contemplam um autocarro londrino de dois andares adaptado para os tours citadinos de Hobart.

Vegetais da Apple Island

Compradores abastecem-se no mercado de Salamanca Square.

Junto aos Kelly Steps

Transeuntes cruzam-se em frente aos prédios históricos que delimitam a Salamanca Square.

Vista desafogada

Turistas contemplam o panorama a partir do miradouro fechado do Monte Wellington.

Vista desafogada II

Turistas contemplam o panorama a partir da varanda do miradouro do Monte Wellington.

Hobart, a capital de estado mais a sul da grande ilha foi colonizada por milhares de degredados de Inglaterra. Sem surpresa, a sua população preserva uma forte admiração pelos modos de vida marginais.

Sammy não tem ar de quem usufrua muito do ar livre e do sol mas celebra, de forma cautelosa, o já longo período de bonança na meteorologia da sua ilha. “Tem estado fabuloso, mas não pensem que isto é sempre assim, afiança-nos a adolescente, debaixo dos óculinhos redondos, enquanto partilhamos um fish & chips oleoso. “A Antárctida é já ali em baixo e, mesmo de Dezembro a Fevereiro, temos períodos de chuva e vento que nos levam ao desespero”.

A esplanada em que convivemos ocupa parte de uma das docas do porto de Hobart e prenda-nos com a vista de centenas de veleiros e outras embarcações amaradas nos seus abrigos. Apesar da tranquilidade marítima vigente, a conversa sobre o tempo e a visão de tanto mastro, popa e proa trazem à baila a célebre regata Sidney-Hobart e Sammy acaba por nos falar das suas piores agruras.

A prova realiza-se, todos os anos, a 26 de Dezembro, no feriado anglófono de Boxing Day. Como o nome indica, a sua rota de quase 630 milhas náuticas (quase 1200 km) tem início em Sidney, prossegue para sul, ao longo do Mar da Tasmânia, continua pela costa da ilha e termina na sua capital. A competição é conhecida pela dureza e pela quantidade de desistências e acidentes.

Na edição de 1998, por exemplo, as embarcações participantes encontraram uma tempestade a roçar o estatuto de furacão. Os ventos passaram os 70 nós e geraram vagas imensas. Ao mesmo tempo, apesar de estarmos a meio do Verão austral, nevava em partes do sul da grande ilha. Dos 115 veleiros que zarparam do continente australiano, apenas 44 conseguiram atravessar o Estreito de Bass e chegar a Hobart, cinco barcos afundaram e morreram seis tripulantes. Este foi só o pior dos casos.  

Da Descoberta ao Degredo

Também Abel Tasman, o primeiro europeu a avistar a Tasmânia, em 1642, se terá deparado com condições adversas. E fúrias idênticas daqueles mares meridionais terão agravado o sofrimento dos milhares de condenados que, a partir de 1803, foram degredados, de início, para Risdon Cove –  a segunda colónia britânica na Austrália – mais tarde, para outras partes da Tasmânia. Em poucos anos, Hobart substituiu Risdon Cove e destacou-se das demais povoações pioneiras. Tornou-se na segunda cidade mais antiga do país (a seguir a Sydney) e na capital de estado australiana situada mais a sul. 

O seu casario surge comprimido entre as encostas íngremes do monte Wellington (1210 m) e o estuário amplo do rio Derwent em que se prolongam as estruturas marítimas do Battery Point – o coração histórico da cidade – e da Constitution Dock. Enquanto caminhamos por estas zonas ribeirinhas organizadas em função dos armazéns georgianos construídos para suportar o comércio que entretanto se desenvolveu,  descobrimos a arquitectura herdada desses velhos tempos em que, até à anunciada extinção, os aborígenes se viram obrigados a ceder a terra que detinham. Também descobrimos um mercado fiel à atmosfera ali vivida nas primeiras décadas da era colonial. 

É sábado de manhã e animam-se mais uma vez as ruas e o jardim de Salamanca Place. Apesar de semanal, o evento leva Hobart ao rubro e atrai gente de toda a Tasmânia. Centenas de bancas sucedem-se num espaço rectangular em que os compradores e visitantes se aconchegam e vão percorrendo vezes sem conta. Umas exibem produtos naturais e caseiros como as frutas mais vistosas da ilha e os doces e compotas a que deram origem. Outras promovem artesanato, o típico e o criativo, pensado e executado nas casas dos artistas locais. Outras ainda sugerem peças de roupa e de decoração excêntricas ou propõem jogos de perícia eventualmente viciados.

O ambiente é místico, com resquícios de uma época oitocentista que a  distância das grandes cidades australianas continua a validar. Impõem-se à multidão as paredes amareladas de arenito dos velhos armazéns, em tempos, no pólo da actividade baleeira e comercial de Hobart, hoje transformados em restaurantes e bares que concentram a vida nocturna da cidade. Há mais história no nome do lugar e do mercado que homenageia a longínqua vitória do Duque de Wellington na Batalha de Salamanca, travada, em 1812, junto à cidade castelhana. 

Um grupo de gaiteiros vestidos a rigor, toca com determinação no jardim. Logo ao lado, dezenas de buskers disputam o tempo e atenção dos transeuntes. Enquanto uns actuam, outros aguardam pela vez e ensaiam ou metem-se com quem passa para disfarçar a ansiedade. Surgem músicos e malabaristas, recitadores de poesia e contorcionistas. Os mais versáteis reúnem um pouco de cada arte e, quando as conciliam com humor, são vangloriados por plateias em êxtase.

Detemo-nos o tempo necessário de cada vez que um novo busker se anuncia e exibe à multidão. Com recurso a monociclos, diábolos, maças e até moto-serras, os talentosos artistas-pedintes vão divertindo os clientes da feira sem pressas. Em troca, estes, enchem-lhes os chapéus e as caixas de sapatos de dólares australianos.

A um deles – El Diabolero – sobra boa-disposição para brincar com quem se vai embora sem contribuir. “Vocês aí ao fundo que não têm trocos, não se preocupem. É só virem aqui ao terminal multibanco!”.

Há uma generosidade espontânea entre a população de Hobart e da Tasmânia em geral. E uma admiração incondicional pelas formas alternativas de vida.

Dos primeiros 262 europeus a habitar a colónia penal britânica, em 1863, 178 eram condenados. Para muitos, a aventura nos antípodas representou um prolongamento da violência, graças aos confrontos permanentes com a tribo aborígene semi-nómada Mouheneener.

Como noutras partes da Austrália, o poder de fogo dos colonos reforçado pela devastação biológica perpetrada pelas doenças que traziam do Velho Continente depressa desmobilizaram os indígenas. Além de cederem os seus territórios, entre 1829 e 1834, estes, foram deslocados para uma reserva na ilha de Flinders onde deveriam ser convertidos ao Cristianismo e aos modos civilizados.

Quase toda a população indígena morreu de doença e de desespero e, no fim do século XIX, já não existia nenhum nativo de sangue completamente aborígene na Tasmânia. Apesar de a sua cultura ter cedido quase por completo à europeia, os genes estão presentes em comunidades mistas geradas, desde 1798, quando alguns caçadores de focas formaram famílias com mulheres aborígenes e se estabeleceram em Flinders e noutras ilhas do grupo Furneaux. Trezentos e sessenta e oito anos depois de o navegador holandês Abel Tasman ter descoberto a ilha para o Ocidente, vários milhares dos 500.000 habitantes da Tasmânia são descendentes destas comunidades.

Perth a Albany, Austrália

Pelos Confins do Faroeste Australiano

Poucos povos veneram a evasão como os aussies. Com o Verão meridional em pleno e o fim-de-semana à porta, os habitantes de Perth refugiam-se da rotina urbana no recanto sudoeste da nação. Pela nossa parte, sem compromissos, exploramos a infindável Austrália Ocidental até ao seu limite sul.

Sydney, Austrália

De Desterro de Criminosos a Cidade Exemplar

A primeira das colónias australianas foi erguida por reclusos desterrados. Hoje, os aussies de Sydney gabam-se de antigos condenados da sua árvore genealógica e orgulham-se da prosperidade cosmopolita da megalópole que habitam. 

Mercados

Uma Economia de Mercado

A lei da oferta e da procura dita a sua proliferação. Genéricos ou específicos, cobertos ou a céu aberto, estes espaços dedicados à compra, à venda e à troca são expressões de vida e saúde financeira.

Tasmânia, Austrália

À Descoberta de Tassie

Há muito a vítima predilecta das anedotas australianas, a Tasmânia nunca perdeu o orgulho no jeito mais rude que aussie de ser e mantém-se envolta em mistério no seu recanto meridional dos antípodas.

Victoria, Austrália

No Grande Sul Australiano

Uma das evasões preferidas dos habitantes de Melbourne, a estrada B100 desvenda um litoral sublime que o oceano moldou. E bastam alguns km para perceber porque foi baptizada The Great Ocean Road.

Alice Springs a Darwin, Austrália

A Caminho do Top End

Do Red Centre ao Top End tropical, a Stuart Hwy percorre mais de 1.500km solitários através da Austrália. Nesse trajecto, a grande ilha muda radicalmente de visual mas mantém-se fiel à sua alma rude.

Perth, Austrália

A Cidade Solitária

A mais 2000km de uma congénere digna desse nome, Perth é considerada a urbe mais remota à face da Terra. Apesar de isolados entre o Índico e o vasto Outback, são poucos os habitantes que se queixam.

Norte de Queensland, Austrália

Uma Austrália Demasiado Selvagem

Os ciclones e as inundações são só a expressão meteorológica da rudeza tropical de Queensland. Quando não é o tempo, é a fauna mortal da região que mantém os seus habitantes sob alerta.

Perth, Austrália

Cowboys da Oceania

O Texas até fica do outro lado do mundo mas não faltam vaqueiros no país dos coalas e dos cangurus. Rodeos do Outback recriam a versão original e 8 segundos não duram menos no Faroeste australiano.

Perth, Austrália

Em Honra da Fundação, de Luto Pela Invasão

26/1 é uma data controversa na Austrália. Enquanto os colonos britânicos o celebram com churrascos e muita cerveja, os aborígenes celebram o facto de não terem sido completamente dizimados.

Red Centre, Austrália

No Coração Partido da Austrália

O Red Centre abriga alguns dos monumentos naturais incontornáveis da Grande Ilha. Impressiona-nos pela grandiosidade dos cenários mas também a incompatibilidade renovada das suas duas civilizações.

Wycliffe Wells, Austrália

Os Ficheiros Pouco Secretos de Wycliffe Wells

Há décadas que os moradores, peritos de ovnilogia e visitantes testemunham avistamentos em redor de Wycliff Wells. Aqui, Roswell nunca serviu de exemplo e cada novo fenómeno é comunicado ao mundo.

Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.

Port Arthur, Austrália

Uma Ilha Condenada ao Crime

O complexo prisional de Port Arthur sempre atemorizou os desterrados britânicos. 90 anos após o seu fecho, um crime hediondo ali cometido forçou a Tasmânia a regressar aos seus tempos mais lúgubres.

Michaelmas Cay, Austrália

A Milhas do Natal (parte I)

Na Austrália, vivemos o mais incaracterístico dos 24s de Dezembro. Zarpamos para o Mar de Coral e desembarcamos num ilhéu idílico que partilhamos com gaivinas-de-bico-laranja e outras aves.

Arquitectura & Design
Fortalezas

O Mundo à Defesa

Sob ameaça dos inimigos desde os confins dos tempos, os líderes de povoações e de nações ergueram castelos e fortalezas. Um pouco por todo o lado, monumentos militares como estes continuam a resistir.
Totens tribais
Aventura

Malekula, Vanuatu

Canibalismo de Carne e Osso

Até ao início do século XX, os comedores de homens ainda se banqueteavam no arquipélago de Vanuatu. Na aldeia de Botko descobrimos porque os colonizadores europeus tanto receavam a ilha de Malekula

Preces ao fogo
Cerimónias e Festividades

Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se

No coração amarelo de San Cristóbal
Cidades

San Cristóbal de Las Casas, México

O Lar Doce Lar da Consciência Social Mexicana

Maia, mestiça e hispânica, zapatista e turística, campestre e cosmopolita, San Cristobal não tem mãos a medir. Nela, visitantes mochileiros e activistas políticos mexicanos e expatriados partilham uma mesma demanda ideológica.

Ilha menor
Comida

Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.

Bruxinha de chaleira
Cultura

Helsínquia, Finlândia

A Páscoa Pagã de Seurasaari

Em Helsínquia, o sábado santo também se celebra de uma forma gentia. Centenas de famílias reúnem-se numa ilha ao largo, em redor de fogueiras acesas para afugentar espíritos maléficos, bruxas e trolls

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Em Viagem
Chefchouen a Merzouga, Marrocos

Marrocos de Cima a Baixo

Das ruelas anis de Chefchaouen às primeiras dunas do Saara revelam-se, em Marrocos, os contrastes bem marcados das primeiras terras africanas, como sempre encarou a Ibéria este vasto reino magrebino.
Coragem
Étnico

Pentecostes, Vanuatu

Bungee Jumping para Homens a Sério

Em 1995, o povo de Pentecostes ameaçou processar as empresas de desportos radicais por lhes terem roubado o ritual Naghol. Em termos de audácia, a imitação elástica fica muito aquém do original.

Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
História
Cidade Velha, Cabo Verde

Cidade Velha: a anciã das Cidades Tropico-Coloniais

Foi a primeira povoação fundada por europeus abaixo do Trópico de Câncer. Em tempos determinante para expansão portuguesa para África e para a América do Sul e para o tráfico negreiro que a acompanhou, a Cidade Velha tornou-se uma herança pungente mas incontornável da génese cabo-verdiana.

Street Scooter scene
Ilhas
Key West, E.U.A.

O Faroeste Tropical dos E.U.A.

Chegamos ao fim da Overseas Highway e ao derradeiro reduto das propagadas Florida Keys. Os Estados Unidos continentais entregam-se, aqui, a uma deslumbrante vastidão marinha esmeralda-turquesa. E a um devaneio meridional alentado por uma espécie de feitiço caribenho.
Aurora fria II
Inverno Branco
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Foz incandescente
Natureza

Big Island, Havai

À Procura de Rios de Lava

São 5 os vulcões que fazem a Big Island aumentar de dia para dia. O Kilauea, o mais activo à face da Terra, liberta lava em permanência. Apesar disso, vivemos uma espécie de epopeia para a vislumbrar.

Aposentos dourados
Outono

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Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Cavalgada em tons de Dourado
Parques Naturais

El Calafate, Argentina

Os Novos Gaúchos da Patagónia

Em redor de El Calafate, em vez dos habituais pastores a cavalo, cruzamo-nos com gaúchos criadores equestres e com outros que exibem para gáudio dos visitantes, a vida tradicional das pampas douradas.

Cortejo garrido
Património Mundial Unesco

Suzdal, Rússia

1000 Anos de Rússia à Moda Antiga

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

Acima de tudo e de todos
Personagens

Harare, Zimbabwe

O Último Estertor do Surreal Mugabué

Em 2015, a primeira-dama do Zimbabué Grace Mugabe afirmou que o presidente, então com 91 anos, governaria até aos 100, numa cadeira-de-rodas especial. Pouco depois, começou a insinuar-se à sua sucessão. Mas, nos últimos dias, os generais precipitaram, por fim, a remoção de Robert Mugabe que substituiram pelo antigo vice-presidente Emmerson Mnangagwa.

Desembarque Tardio
Praia

Arquipélago Bacuit, Filipinas

A Última Fronteira Filipina

Um dos cenários marítimos mais fascinantes do Mundo, a vastidão de ilhéus escarpados de Bacuit esconde recifes de coral garridos, pequenas praias e lagoas idílicas. Para a descobrir, basta uma bangka.

Cansaço religioso
Religião

Chiapas e Iucatão, México

Uma Estafeta de Fé

Equivalente católica da Nª Sra. de Fátima, a Virgem de Guadalupe move e comove o México. Os seus fiéis cruzam-se nas estradas do país, determinados em levar a prova da sua fé à patrona das Américas.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Dança dos cabelos
Sociedade

Longsheng, China

A aldeia chinesa dos maiores cabelos do mundo. Nutridos a arroz, claro

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de uma aldeia renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os seus cabelos anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm que faz da aldeia recordista. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e o cereal. 

O projeccionista
Vida Quotidiana

Sainte-Luce, Martinica

Um Projeccionista Saudoso

De 1954 a 1983, Gérard Pierre projectou muitos dos filmes famosos que chegavam à Martinica. 30 anos após o fecho da sala em que trabalhava, ainda custava a este nativo nostálgico mudar de bobine.

Um rasto na madrugada
Vida Selvagem

Damaraland, Namíbia

Namíbia On the Rocks

Centenas de quilómetros para norte de Swakopmund, muitos mais das dunas emblemáticas de Sossuvlei, Damaraland acolhe desertos entrecortados por colinas de rochas avermelhadas, a maior montanha e a arte rupestre decana da jovem nação. Os colonos sul-africanos baptizaram esta região em função dos Damara, uma das suas etnias. Só estes e outros habitantes comprovam que fica na Terra.

Vale de Kalalau
Voos Panorâmicos

Napali Coast, Havai

As Rugas Deslumbrantes do Havai

Kauai é a ilha mais verde e chuvosa do arquipélago havaiano. Também é a mais antiga. Enquanto a exploramos por terra, mar e ar, espantamo-nos ao vermos como a passagem dos milénios só a favoreceu.