Monte Koya, Japão

A Meio Caminho do Nirvana


Templo Kongobuji

Visitantes contornam o templo Kongobuji de Koya San.

Vegetação outonal

Visitantes percorrem uma alameda de Koya San sob a vegetação outonal.

Contornos montanhosos

Montanhas em redor de Koya San.

Estátua só

Pequena estátua no cemitério de Okunoin.

Cerimónia budista

Monge Kurt Kubli durante uma cerimónia budista madrugadora.

Fim do dia

Monge fecha uma porta do templo Kongobuji.

Exército de monges

Monges atravessam a povoação a passo largo.

Lanternas budistas

Lanternas budistas iluminam o anoitecer de Koya San.

Chegada do teleférico

Teleférico proveniente de Gokurakubashi chega a Koya San.

Ishidoros

Lanternas budistas iluminam o caminho aos fiéis entre os vários templos de Koya San.

Budismo Outonal

Velho templo budista de madeira no coração de Koya San.

Aviso campanal

Monge faz soar um sino gigantesco na proximidade do templo Kongobuji.

Encontro budista

Sacerdota conduz peregrinos que saem do interior do enorme templo Kongobuji.

Início do ritual

Fiéis acendem velas no interior de um templo budista.

Evasão budista-outonal

Casal passeia em redor de um outro velho edifício budista nas imediações do templo Kongobuji.

Segundo algumas doutrinas do budismo, são necessárias várias vidas para atingir a iluminação. O ramo shingon defende que se consegue numa só. A partir de Koya San, pode ser ainda mais fácil.

A cabine vermelha parte de Gokurakubashi e progride lentamente encosta acima, ao longo da floresta circundante. Segue carregada de habitantes locais, de novos visitantes e da sua bagagem mas, apesar do peso e da inclinação acentuada, termina o percurso nos cinco minutos previstos.

O teleférico é só mais uma evidência de como os tempos mudaram e de como, nas últimas décadas, a antes apartada Koyasan se entregou ao exterior. De início, admitiram-se os visitantes nipónicos, a determinada altura, já não necessariamente apenas os peregrinos que chegavam de dias de caminhada. Depois, em 2004, quando a UNESCO inscreveu os lugares e rotas de peregrinação circundantes da Cordilheira Kii na lista de património mundial, a fama crescente da “montanha” tornou definitivamente insustentável a sua desgastada reclusão.

Como resumiu Shoto Habukawa o Ajari (sacerdote líder) do templo Murykoin: “Nesta era, Koyasan vai deixar de ser Koyasan se não abraçarmos as pessoas de fora … ”.

Assumida e comunicada a alteração de princípios, o organismo nacional de promoção do Japão passou a divulgar o destino também no estrangeiro, uma tarefa que depressa se viria a confirmar recompensadora.

A simpatia ocidental pelo budismo, o enorme interesse por tudo o que é japonês e a beleza das imagens que começaram a circular do complexo de templos e da paisagem circundante criaram uma aura de fascínio que continua a adensar-se sobre Koyasan, uma ilha de tranquilidade e espiritualidade que observa e analisa o Japão atarefado e consumista das metrópoles.

À boa maneira nipónica, alguns responsáveis religiosos redobraram esforços para cumprir com o voto. Assim se espalhou pelos  mosteiros da vila o fenómeno shukubo, a forma de acolhimento e integração dos visitantes oficial de Koyasan. E assim foi nomeado Relações Públicas da vila Kurt Genso, na realidade, chamado Kurt Kubli, 58 anos, a personagem que viria a transformar a nossa visita, numa experiência ainda mais inesquecível. 

Durante cerca de 1200 anos, tudo foi diferente. A ideia do monge Kukai – conhecido por Kôbo Daishi após a sua morte – por detrás da fundação de um centro para o estudo e prática da sua interpretação do budismo Vairocana, era encontrar um refúgio que assegurasse o retiro e a protecção das interferências externas. A importância deste isolamento manteve-se crucial ao longo dos séculos. Foi de tal maneira respeitada que, até ao fim da era Meiji (1871), as mulheres não eram simplesmente admitidas na povoação, tendo-lhes sido reservado um templo exclusivo, construído à entrada, o Nyonindô. 

Em claro desrespeito de uma directiva imperial japonesa de que deveria permanecer em estudo na China então governada pela dinastia Tang, durante 20 anos, Kukai regressou logo ao fim do segundo. Voltou enriquecido pela sabedoria do Mestre Huiguo – o patriarca da corrente Vairocana – mas foi proibido pelos governantes nipónicos de entrar na capital.

Os seus novos ensinamentos já davam, no entanto, que falar. O perdão foi-lhe concedido ao fim de mais alguns anos assim como a permissão para desenvolver a doutrina e a cultura nipónica que continuava a seguir as novidades do outro lado do estreito.

Assim que obteve autorização do Imperador Saga, em 819, Kukai reuniu um grande número de seguidores e trabalhadores e começou a construção gradual de Koyasan, num vale perdido a 880 metros de altitude, entre os oito picos das montanhas que os habitantes da região de Wakayama denominaram Monte Koya e os monges consideraram as oito pétalas de um lótus, um simbolismo muito forte do budismo para a natureza real das coisas que ascendem à beleza e à clareza do iluminismo. 

De volta ao Muryoko Inn, a surpresa não é japonesa, nem chinesa, nem sequer verdadeiramente asiática.

“Olá, sejam bem-vindos a Koya San” profere o monge Gensou com um sorriso acolhedor. Ao longe, o cabelo rapado engana-nos por algum tempo. Mas a aproximação revela os traços germanófilos requintados de Kurt Kubli, o nome de baptismo do anfitrião, um suíço que cortou com um passado mais florentino que helvético de banqueiro, homem de negócios, artista, estudante de ioga, flamengo e de filosofia indiana para se juntar ao fluxo espiritual do Monte Koya. Ali, além da devoção requerida, Kurt é responsável por consolidar a recente  internacionalização do lugar e da religiosidade peculiar que desenvolve.

A nossa visita faz parte das suas incumbências. Como a noite está a cair, o monge começa por sugerir que nos instalemos o mais depressa possível para, em seguida passearmos, entre os templos, ao lusco-fusco.  

A noite instala-se e o frio do Inverno japonês aperta sobre o vale. Kurt caminha indiferente à penumbra, pelo meio do Danjô Garan, o conjunto local de templos, pagodes, salões, estátuas e outros monumentos que conhece ao pormenor. À partida, o objectivo era apenas conduzir-nos ao centro de visitantes mas, em vez de seguir directo, faz um desvio para que possamos começar a sentir a magia de Koyasan. Abafado pelos cedros que envolvem a povoação, o silêncio é apenas quebrado pelo grasnar longínquo dos corvos e pela dissertação entusiasmada e multilingue do monge que, entre instruções genéricas relacionadas com a estadia, vai transmitindo os nomes e a razão budista de ser de cada edifício.  

O frio intensifica-se à medida que escurece e convida-nos a recolher. Por essa altura, vive-se em frenesim, no Muryoko Inn o que obriga Kurt a desdobrar-se para atender um grupo de alunos de fotografia australianos a que nos juntamos. 

Os estudantes aussie aguardam sentados no chão de tatami de uma das trinta salas, onde lhes foi servido o jantar. Kurt afasta as portas fusuma de papel, entra sem cerimónias, apresenta-se e pergunta se alguém quer uma cerveja. O espanto apodera-se dos presentes. “Não façam essa cara. Não é um problema para o templo que bebam cerveja. Aqui nem lhe chamamos cerveja, preferimos tratá-la por erva da sabedoria…” Recusada a sugestão, começa a dissertar sobre Koyasan, o budismo e, forçando o tema, outro dos seus assuntos preferidos: ele próprio.

Conta episódios e informações pessoais do passado: que renasceu em Zurique mas que sente uma ausência de laços com o país de origem até porque viveu vinte anos em Florença. “Não retenho nenhuma afeição em especial pela minha pátria. Nem sequer gosto de queijo que é algo com que se cresce na Suíça. Já vivi em muitos outros lugares e, no meu coração, sou um cidadão do mundo.” Por esta altura, as perguntas que lhe foram sendo colocadas revelaram já experiências como banqueiro, homem de negócios, artista contemporâneo, estudante de ioga e flamengo, de economia e de filosofia indiana, para mencionar apenas uma pequena parte. A conversa estende-se por mais de uma hora. Antes do final, somos informados que o jantar nos aguarda no quarto e vamos investigar. 

Ao contrário do que aconteceu com outros mosteiros, no Moryoko-in, as refeições shojin-ryori – como os seus horários e os das cerimónias, os banhos tradicionais comuns e o facto do calçado que vem da rua ser substituído por chinelos específicos para diferentes áreas  – são alguns dos elementos indígenas preservados para melhor integrar os visitantes na atmosfera budista. Muitos chegam a imaginar a comida escassa e sem sabor. A realidade, completamente distinta, é servida, todos os dias, às oito da manhã e as seis da tarde.

As refeições vegetarianas de Koyasan, Goma-dôfu e Koya-dôfu foram aperfeiçoadas e preservadas desde os tempos da sua fundação graças à longa dedicação dos monges. Baseiam-se nos preceitos da cozinha Sôbô, há muito relacionada com o treino mental budista e que incorpora o sentido das estações do ano combinando cinco métodos, cinco sabores e cinco cores. 

A que nos tinham acabado de servir era budista e ao mesmo tempo kaiseki (tradicional japonêsa). Encontramos sobre uma mesa baixa dois tabuleiros preenchidos com diferentes pratos, tigelas e outros recipientes de porcelana e plástico. É visto de cima, que os conjuntos, organizados ao milímetro, melhor revelam o seu requinte e  beleza tradicional. Há uma sopa miso e doses apetitosas e com preocupações medicinais de diferentes tofus,  acompanhados de pickles, tempura, feijão adocicado, cogumelos, vegetais cultivados em redor do mosteiro, algas e sésamo. Salvo outras instruções do hóspede, para beber, é servido chá verde. A infusão  complementa o repasto delicioso e revigorante que o monge Kurt se orgulha de ter reformulado, aniquilando os noodles instantâneos e com MSG (Glutamato Monossódico) antes servidos aos hóspedes. 

Quando fazemos o elogio ao monge-aprendiz Fusumi – que viveu dois anos em São Paulo e vem recolher os tabuleiros – , este atreve-se a esclarecer num português abrasileirado mas tímido: “Tinha que ser assim ‘né? Na maior parte do ano, faz muito frio por aqui”. 

Na manhã seguinte, aderimos à disciplina monástica e, apesar do frio, madrugamos para assistir ao ritual Homa (Goma em Japonês) do Fogo, um cerimonial de invocação da divindade Acala exclusivo do budismo esotérico que tem como função uma purificação psicológica e espiritual.   Espera-se que as suas chamas destruam energias negativas, se oponham a pensamentos e desejos prejudiciais e concretizem preces e orações. 

É realizado numa sala semi-escondida, dourada de apetrechos religiosos e perfumada de incenso. E conduzido por um ajari (mestre) que lê as orações na intimidade de um velho livro. Durante noventa minutos, acompanham-no vários acharyas (monges instrutores) que, ajoelhados, recitam e cantam alternadamente o sutra gerando coros místicos que, à luz ocre da sala sugerem uma espécie de transe colectivo.

Apesar desta experiência sensorial, em contraste com as normas do budismo exotérico segundo o qual as doutrinas são ensinadas através de escrituras, o ramo shingon segue o princípio Mikkyo (esotérico) de transmissão pessoal e espiritual de conhecimentos e experiências. E, enquanto no budismo exotérico as leituras são feitas simultaneamente por grandes grupos de monges, em Koya San e no restante “universo” shingon, há um mestre para cada praticante e são tidas em conta as suas  personalidades quando se ensinam os métodos de libertação dos desejos e preocupações mundanas.

Kurt acaba por desempenhar um pouco de ambos os papéis e, no tempo que resta, continua a mostrar-nos Koya San.

Enquanto caminhamos entre a floresta sombria de cedros, explica-nos o passado e a razão de ser budista dos principais edifícios do Danjô Garan, o reduto religioso da povoação. Começamos pelo Kompon Daito, um pagode imponente e exuberante, centro de uma mandala que, segundo a crença shingon, abarca todo o Japão. Contornamos também templos antigos de madeira agora gasta que, apesar de desactivados, preservam uma certa elegância histórica. E visitamos o Kongobuji, a sede secular e emblemática da corrente.

“O cemitério Okunoin! Já sei para onde vamos agora!” Começa a cair um nevoeiro frio. E Kurt lembra-se do seu sítio predilecto de Koya San para quando o tempo assim fica. Na deslocação, ultrapassa-nos, em corrida lenta, um exército de monges shingon embalado para outra das práticas budistas.

Ao nosso ritmo, entramos na alameda estreita do cemitério e durante quase duas horas, ficamos entregues à sabedoria recém-adquirida de Kurt, às inúmeras stupas, jizos (pequenas estátuas), sepulturas e túmulos, em grande parte subsumidas num tapete verdejante de líquenes e musgo.

O Okunoin é o maior cemitério do Japão. E é também o lugar mais sagrado de Koya San por abrigar o mausoléu de Kobo Daishi que os crentes acreditam estar em meditação eterna desde 21 de Março de 835.

Percorrem-no pequenos pelotões de peregrinos apressados, chegados dos trilhos árduos da cordilheira Kii, e ansiosos pela proximidade transcendente do mestre supremo.

Kurt entoa, ali, o sutra indicado para cantar na ocasião especial e espera que o repitamos várias vezes até passarmos o teste.

Em seguida, damos início ao caminho de volta, por zonas limítrofes mas não menos interessantes do vasto cemitério. E entre as sepulturas comuns, e de shoguns e samurais, descobrimos outras, corporativas como as da Komatsu e da Nissan. Algumas empresas ergueram monumentos fúnebres peculiares aos seus fundadores e empregados e honram-nos com símbolos da actividade ou produção a que se dedicaram. Destacam-se a enorme chávena de café instalada pela companhia UCC e a escultura simplificada do foguetão Apollo 11 montado em jeito de homenagem pela Shinmaywa Industries (que nada teve a ver com o seu lançamento).

À moda do budismo shingon, em sintonia com a criatividade de cada pessoa, em Koya San, o Nirvana é o derradeiro objectivo.  

Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem lá desembarca, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante. Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem lá desembarca, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante. 

Guwahati, India

A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Quioto, Japão

O Templo que Renasceu das Cinzas

O Pavilhão Dourado foi várias vezes poupado à destruição ao longo da história, incluindo a das bombas largadas pelos EUA mas não resistiu à perturbação mental de Hayashi Yoken. Quando o admirámos, luzia como nunca.

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.

Nara, Japão

Budismo Hiperbólico

Nara deixou, há muito, de ser capital e o seu templo Todai-ji foi despromovido. Mas o Grande Salão mantém-se o maior edifício antigo de madeira do Mundo. E alberga o maior buda vairocana de bronze.

Quioto, Japão

Um Japão Quase Perdido

Quioto esteve na lista de alvos das bombas atómicas dos E.U.A. e foi mais que um capricho do destino que a preservou. Salva por um Secretário de Guerra norte-americano apaixonado pela sua riqueza histórico-cultural e sumptuosidade oriental, a cidade foi substituída à última da hora por Nagasaki no sacrifício atroz do segundo cataclismo nuclear.

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Bagan, Myanmar

A Planície das Compensações Celestiais

A religiosidade birmanesa sempre assentou num compromisso de redenção. Em Bagan, os crentes endinheirados e receosos continuam a erguer pagodes na esperança de conquistarem a benevolência dos deuses.

Quioto, Japão

Uma Fé Combustível

Durante a celebração xintoísta de Ohitaki são reunidas no templo de Fushimi preces inscritas em tabuínhas pelos fiéis nipónicos. Ali, enquanto é consumida por enormes fogueiras, a sua crença renova-se

Minhocas
Arquitectura & Design

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Aterragem sobre o gelo
Aventura

Mount Cook, Nova Zelândia

A Conquista Aeronáutica dos Alpes do Sul

Em 1955, o piloto Harry Wigley criou um sistema de descolagem e aterragem sobre asfalto ou neve. Desde então, a sua empresa revela, a partir do ar, alguns dos cenários mais grandiosos da Oceania.

A galope
Cerimónias e Festividades

Jaisalmer, Índia

Há Festa no Deserto do Thar

Mal o curto Inverno parte, Jaisalmer entrega-se a desfiles, a corridas de camelos e a competições de turbantes e de bigodes. As suas muralhas, ruelas e as dunas em redor ganham mais cor que nunca. Durante os três dias do evento, nativos e forasteiros assistem, deslumbrados, a como o vasto e inóspito Thar resplandece afinal de vida.

Pesca Preciosa
Cidades

Colónia del Sacramento, Uruguai

Um Vaivém Colonial

A fundação de Colónia del Sacramento pelos portugueses gerou conflitos recorrentes com os rivais hispânicos. Até 1828, esta praça fortificada, hoje sedativa, mudou de lado vezes sem conta.

Vendedores de Tsukiji
Comida

Tóquio, Japão

No Reino do Sashimi

Num ano apenas, cada japonês come mais que o seu peso em peixe e marisco. Uma parte considerável é processada e vendida por 65 mil habitantes de Tóquio no maior mercado piscícola do mundo.

Cultura
Pueblos del Sur, Venezuela

Os Pauliteiros de Mérida e Cia

A partir do início do século XVII, com os colonos hispânicos e, mais recentemente, com os emigrantes portugueses consolidaram-se nos Pueblos del Sur, costumes e tradições bem conhecidas na Península Ibérica e, em particular, no norte de Portugal.
Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Surfspotting
Em Viagem

Perth a Albany, Austrália

Pelos Confins do Faroeste Australiano

Poucos povos veneram a evasão como os aussies. Com o Verão meridional em pleno e o fim-de-semana à porta, os habitantes de Perth refugiam-se da rotina urbana no recanto sudoeste da nação. Pela nossa parte, sem compromissos, exploramos a infindável Austrália Ocidental até ao seu limite sul.

Retorno na mesma moeda
Étnico
Dawki, Índia

Dawki, Dawki, Bangladesh à Vista

Descemos das terras altas e montanhosas de Meghalaya para as planas a sul e abaixo. Ali, o caudal translúcido e verde do Dawki faz de fronteira entre a Índia e o Bangladesh. Sob um calor húmido que há muito não sentíamos, o rio também atrai centenas de indianos e bangladeshianos entregues a uma pitoresca evasão.
Luminosidade caprichosa no Grand Canyon
Fotografia
Luz Natural (Parte 1)

E Fez-se Luz na Terra. Saiba usá-la.

O tema da luz na fotografia é inesgotável. Neste artigo, transmitimos-lhe algumas noções basilares sobre o seu comportamento, para começar, apenas e só face à geolocalização, a altura do dia e do ano.
Correria equina
História
Castro Laboreiro, Portugal  

No Cimo Raiano-Serrano de Portugal

Chegamos à eminência da Galiza, a 1000m de altitude e até mais. Castro Laboreiro e as aldeias em redor impõem-se à monumentalidade granítica das serras e do Planalto da Peneda e de Laboreiro. Como o fazem as suas gentes resilientes que, entregues ora a Brandas ora a Inverneiras, ainda chamam casa a estas paragens deslumbrantes.
Pesca no Paraíso
Ilhas

Ouvéa, Nova Caledónia

Entre a Lealdade e a Liberdade

A Nova Caledónia sempre questionou a integração na longínqua França. Em Ouvéa, encontramos uma história de resistência mas também nativos que preferem a cidadania e os privilégios francófonos.

Lenha
Inverno Branco

PN Oulanka, Finlândia

Um Lobo Pouco Solitário

Jukka “Era-Susi” Nordman criou uma das maiores matilhas de dog sledding do mundo. Tornou-se numa das personagens mais emblemáticas do país mas continua fiel ao seu cognome: Wilderness Wolf

Litoral de Upolu
Literatura

Upolu, Samoa Ocidental

A Ilha do Tesouro de Stevenson

Aos 30 anos, o escritor escocês começou a procurar um lugar que o salvasse do seu corpo amaldiçoado.Em Upolu e nos samoanos, encontrou um refúgio acolhedor a que entregou a sua vida de alma e coração

Um cenário imponente
Natureza

Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

O grande Salto Angel
Parques Naturais

PN Canaima, Venezuela

O Rio Que Cai do Céu

Em 1937, Jimmy Angel aterrou uma avioneta sobre uma meseta perdida na selva venezuelana. O aventureiro americano não encontrou ouro mas conquistou o baptismo da queda d'água mais longa à face da Terra

Rampa
Património Mundial Unesco

Badaling, China

Uma Invasão Chinesa da Muralha da China

Com a chegada dos dias quentes, hordas de visitantes Han apoderam-se da maior estrutura criada pelo homem, recuam à era das dinastias imperiais e celebram o protagonismo recém-conquistado pela nação.

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Perigo de praia
Praia

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Wall like an Egyptian
Religião

Luxor, Egipto

De Luxor a Tebas: viagem ao Antigo-Egipto

Tebas foi erguida como a nova capital suprema do Império Egípcio, o assento de Amon, o Deus dos Deuses. A moderna Luxor herdou a sua sumptuosidade. Entre uma e a outra fluem o Nilo sagrado e milénios de história deslumbrante.

Sobre carris
Sobre Carris

Sempre Na Linha

Nenhuma forma de viajar é tão repetitiva e enriquecedora como seguir sobre carris. Suba a bordo destas carruagens e composições díspares e aprecie cenários imperdíveis dos quatro cantos do mundo.
Tsumago em hora de ponta
Sociedade

Magome-Tsumago, Japão

O Caminho Sobrelotado Para o Japão Medieval

Em 1603, o shogun Tokugawa ditou a renovação de um sistema de estradas já milenar. Hoje, o trecho mais famoso da via que unia Edo a Quioto é frequentemente invadido por uma turba ansiosa por evasão.

Dança dos cabelos
Vida Quotidiana

Longsheng, China

A aldeia chinesa dos maiores cabelos do mundo. Nutridos a arroz, claro

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de uma aldeia renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os seus cabelos anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm que faz da aldeia recordista. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e o cereal. 

Abastecimento
Vida Selvagem

PN Serengeti, Tanzânia

A Grande Migração da Savana Sem Fim

Nestas pradarias que o povo Masai diz siringet (correrem para sempre), milhões de gnus e outros herbívoros perseguem as chuvas. Para os predadores, a sua chegada e a da monção são uma mesma salvação.

Radical 24h por dia
Voos Panorâmicos

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.