Dali, China

A China Surrealista de Dali


A ver a vida passar

Senhora bai contempla a vida na rua de dentro de uma casa com um portão tradicional exuberante.

Dali dos pequeninos

Visitantes de bai divertem-se com um jogo gigante construído numa encosta da montanha Cangshan, acima de Dali.

Uma visão lacustre

Cenário excêntrico do grande lago Erhai. 

Seca-brasas

Rapaz recorre a uma forma criativa de puxar as brasas.

Sino-catolicismo

Detalhe da igreja católica de Dali, erguida em 1927, gravemente danificada durante a Revolução Cultural e recuperada como Património Histórico em 1984.

Cristo versão Dali

Fachada atrás do altar da igreja católica de Dali.

Uma geração às costas

Mãe de etnia bai transporta bebé curioso pela atenção dos forasteiros.

Evasão escolar

Alunos de escola local percorrem uma rua local, à saída das aulas.

Telhados fora

Casario tradicional de Dali, entre as muralhas da cidade.

Torneio chinês

Animação em redor de uma mesa de mahjong, num rua da cidade velha de Dali.

Quase noite em Yunnan

Vista de uma rua do centro histórico de Dalo, ao anoitecer.

Moda J.R. Ewing

Homem trajado com visual texano num mercado nos arredores da cidade.

Cores do passado

Torre de vigia e defesa assente num dos pórticos de entrada na cidade.

Poses nupciais

Sessão fotográfica casamenteira sobre um dos adarves das velhas muralhas de Dali. 

Aperitivos naturais

Espetadinhas de insectos e larvas grelhados, à venda na rua.

Uns toques de China

Dotes futebolísticos numa praça do centro.

Torre d'ouro

Um de três pagodes do templo Chongsheng, nos arredores de Dali.

Trio com fome

Jovens amigas partilham franjas irreverentes e snacks de rua.

2ª feira outra vez

Casal começa o seu dia no seu restaurante pitoresco aberto para a rua. 

Azáfama comercial

Cena de um dos vários mercados nos arredores da cidade muralhada de Dali

Aldeia fértil

Casario dos arredores de Dali, disposto sobre a planície de aluvião na margem do lago Erhai.

Encaixada num cenário lacustre mágico, a antiga capital do povo Bai manteve-se, até há algum tempo, um refúgio da comunidade mochileira de viajantes. As mudanças sociais e económicas da China fomentaram a invasão de chineses à descoberta do recanto sudoeste da nação.

De um momento para o outro, os petiscos surgem-nos pela frente como um desafio civilizacional a que não nos podemos esquivar. Temos grilos, gafanhotos e larvas, ligeiramente fritos, alinhados em espetadinhas de pau, expostos num equilíbrio precário na extremidade do grande wo

k em que, como os peixes de rio, os pequenos camarões e as restantes iguarias, a dona do negócio os cozinhava. Inauguramos a degustação pelos gafanhotos. Mais que estaladiços, são crocantes. Revelam um surpreendente gosto de bolacha de água e sal, das mais salgadas. Passamos aos grilos. Já tínhamos provado Doritos piores pelo que os repetimos sem esforço. Suspeitávamos das larvas e com razão. Confirmaram-nos uma textura esponjosa repulsiva. O seu travo, de algo entre o musgo e o lodo, repugnou-nos a condizer. Fazemos as caras feias que se esperavam, agradecemos à vendedora a atenção intrigada que nos prestara e regressamos ao périplo descomprometido pelas ruas geométricas da velha cidade muralhada.

Nos anos mais recentes, também Dali ganhara um sabor agridoce. Até meio da década de 80, manteve-se como uma das preciosidades históricas de Yunnan, uma das províncias mais afastadas das grandes metrópoles chinesas, a capital Pequim, Xangai, entretanto, Hong Kong e outras. Por lá passava a rota mochileira que explorava o recanto sudoeste da China para logo subir rumo a Lijiang, a Shangri La e a Lhasa, o coração trespassado do Tibete.

Por essa altura, Dali, à imagem das restantes paragens, preservava-se tranquila e genuína. Os forasteiros remediados traziam consigo, aos bochechos, novidades e diferenças que surpreendiam os nativos. Estes, preocupavam-se apenas o necessário com o acolhimento dos visitantes. Como as muralhas defenderam a velha Dali de ataques inimigos sem conta, o respeito cultural mútuo preservou a integridade da cidade. Assim foi durante algum tempo, até que, como se previa, a espectacularidade de Yunnan extravasou. Com a província destacada na imprensa internacional de viagens, os forasteiros aumentaram. Os moradores deixaram de resistir ao proveito amochilado que batia cada vez mais às suas portas. Simples lares foram transformados em pousadas, lojinhas de artesanato e recordações e em bares e restaurantes que começaram a servir crepes, kebabs e falafel, não só os siapaos, jiaozis e as iguarias excêntricas, demasiadas vezes demasiado picantes da região.

Após a viragem para o século XXI, uma das consequências do desenvolvimento tecnológico e financeiro da China, foi o surgimento de uma classe média endinheirada e que reclamou o direito a viajar. Lugares como Dali – e, ainda mais, Lijiang – depressa se viram invadidos por hordas de compatriotas, sobretudo de etnia han, exigentes e sobranceiros que agora percorrem as ruas e ruelas de olhos postos nas bandeirinhas tremelicantes dos guias. Por sorte, chegamos à região em época baixa, longe de qualquer um dos períodos de férias mais populares na China.

Apontamos ao mercado Shaping. Ainda era cedo e lá confluiam produtores das aldeias e lugarejos nas imediações de Dali, de em volta do grande lago Erhai e das montanhas que o contêm. Subimos a avenida principal em que decorrem as transacções atentos às mercancias e aos modos rudes dos vendedores. Mulheres de chapéus de vime sentadas no chão tentam impingir vassouras, cestos e outros bens, dispostos numa longa montra improvisada.

Logo ao lado, uma negociadora de matéria-prima para extensões comprava cabelo feminino. Com aparente sucesso, tais eram as pretendentes à espera para sacrificar os seus. Quando espreitamos o negócio, a senhora repara no da Sara. Sem cerimónias, apalpa-o e avalia-o. De calculadora em riste, faz-lhe uma proposta, alta que bastasse para a tirar do sério e quase – mas um quase bastante remoto – para que considerasse a oferta. De acordo, prosseguimos com a reserva capilar intacta e o mesmo número de yuans com que tínhamos chegado.

Mais para cima na rua, cruzamo-nos com bancas de vegetais, de raízes terapêuticas e de vestuário, com verdadeiros buffets de manjares exóticos, alguns bem mais desafiantes que os insectos fritos que tínhamos já provado umas horas antes. As mulheres que geriam as bancas de comida mantinham espalhadas tacinhas e alguidares com distintos molhos e ingredientes, massas, legumes, carnes. Cozinhavam-nos com recurso a pequenos fogões ou woks e serviam uma comitiva esfomeada que gritava os pedidos, se instalava e devorava as refeições com sofreguidão, sem desperdiçar os momentos para respirar com demasiada conversa.

Os produtos à venda e os vendedores sucediam-se. E confirmava-se a aversão dos Bai às nossas abordagens fotográficas. Em poucos lugares à face da Terra sentimos uma resistência tão forte às camaras e objectivas. Pedirmos permissão gerava recusas. Para mal dos nossos pecados, éramos rejeitados por uma série de personagens incríveis daquela China campestre e profunda, rica em modas e contrastes condizentes. Víamos os camponeses em trajes e boinas maoistas, senhoras bronzeadas sob longos lenços que se confundiam com hijabs. Cruzávamo-nos com negociantes de fatinho e chapéu de aba, com avozinhas de vestes garridas 100% bai ou com o jovem excepcional que, enfiado num fato branco e chapéu de J.R. Ewing han das Ásias, se sentia mais rejubilante que qualquer outro compatriota.

Malgrado a abundância de figuras e a variedade de estilos, fotografarmos sem pedirmos suscitava esquivas imediatas ou raspanetes em dialecto nativo que, até poderiam ser bem dispostos, algo que a forma brusca de comunicar dos chineses em geral e, em particular dos Bai, não nos permitia depreender. Fazemos o que podemos. Quando regressamos ao interior das muralhas, desesperamos por uma distração que disfarçasse a inesperada frustração.

Dos seus pórticos para dentro, Dali vivia sob uma deslumbrante dupla personalidade. Víamo-la entregar-se aos mais distintos rituais de entretenimento com que prendava os forasteiros. Estes, fotografavam-se em trajes históricos Bai, protagonizavam intrincadas produções casamenteiras sobre os adarves ou os bastiões da fortaleza ou acotovelavam-se na eminência das torres de vigia, a que ascendiam para fotografarem os panoramas em redor.

Em simultâneo, noutras bolsas existenciais, o dia-a-dia local prosseguia à margem de toda aquela comoção turística. Os reformados entretêm-se em volta de mesas disputadas de mahjong. Talhantes cortam as peças de carne recém-chegadas, o dono de um restaurante chinês retoca a montra exuberante composta de molhos e arranjos de  vegetais. Ao lado, um jovem provavelmente seu filho implora fogo a um carvão de tal forma resistente que o força a substituir os abanadores de verga por um secador de cabelo.

Prosseguimos. Confrontamo-nos com batalhões tagarelas de alunos que, livres das aulas e entretidos com sucessivas tropelias, desfilam os uniformes azuis-escuros da sua classe estudante.

Embrenhamo-nos numa tal de Renmin Road. Lá encontramos a escola de que provinham. Desviamos para a Xinmin Road e damos de caras com uma igreja. Só por si, um templo cristão naquelas paragens limítrofes e crentes no politeísmo tradicional chinês ou, vá lá que seja, budistas ou muçulmanas da China já seria de admirar. Como se não bastasse, era uma das igrejas mais incomuns com que alguma vez nos tínhamos cruzado, com formas fiéis à arquitectura tradicional chinesa.

A igreja foi erguida em 1927 por missionários franceses com o propósito de revitalizar o Catolicismo de Yunnan, introduzido na região no século XVII, numa altura em que os missionários e os cristãos recém-convertidos eram frequentemente martirizados. Durante a Revolução Cultural Chinesa, sofreu uma destruição severa e foi fechada. Só seria renovada e reaberta pelas autoridades em 1984, quando recebeu um estatuto de Protecção Histórica que lhe permitiu perdurar sem mais atribulações. Preserva, assim, várias secções exuberantes de telhados retorcidos coroados por uma cruz dourada. Quando entramos, está vazia. O interior revela-nos um espaço similar ao das mais modernas e sóbrias naves das igrejas protestantes ocidentais. Num quadro exposto sobre o altar, Cristo traja uma túnica vermelha, tem uma capa azul às costas e surge envolto de um brilho dourado, à laia de profeta super-herói. As duas pinturas rudimentares dos anjos que o ladeiam, os caracteres chineses amarelos por debaixo complementam um conjunto artístico religioso de tal forma inusitado que nos deixa a coçar as cabeças. Fosse como fosse, depressa se esgotou o tempo para o apreciarmos. A guardiã do templo surge do nada e informa-nos que tem que o fechar, o mesmo que faziam milhares de seus concidadãos para quem já ia longo o dia à frente das lojas e negócios.

A iluminação artificial da área entre muralhas antecipa-se à penumbra. Aquece e empresta novo esplendor às torres de vigia sobre os pórticos de entrada. Os telhados em bico recebem dourados que contrastam com o azulão lusco-fusco do céu sempre limpo e com o verde reforçado dos muros abaixo, já de si forrados de vegetação trepadeira. Subimos a uma destas torres e duma janela no cimo fortificado, admiramos como a cidade se rendia à noite.

De regresso ao solo, a versão nocturna de Dali continua a surpreender-nos. O som de música chinesa popular desperta-nos os sentidos. Em perseguição da melodia, dobramos uma esquina apertada.

Sem que o esperássemos, confrontamo-nos com uma espécie de Flash Mob local. Dezenas de moradores tinham-se concentrado numa praça desafogada. Sem mais demoras, uma anfitriã idosa e um DJ inauguram a música e as hostilidades. As participantes integram uma ampla coreografia e dançam com uma graciosidade e harmonia, só possíveis pela repetição diária do ritual. Após a primeira canção, dançam várias outras, cada qual digna de novos movimentos individuais, para gáudio de alguns jovens que, à margem, riem a bom rir e, dessa sua maneira, celebram a vitalidade das mães, das avós, das vizinhas.

Quarenta minutos depois, de forma tão espontânea como havia começado, o encontro chega a um fim. A anfitriã interrompe de forma seca a a canção que se arrastava. À boa maneira chinesa, as dançarinas limitam-se a deixar de dançar. Não se despedem. Não se entregam a qualquer tipo de contacto ou lamechice afim. Em vez, viram as costas às senhoras que estão mais próximas e seguem o seu caminho. Há muito que Dali é como é. Os visitantes aos magotes ainda estão por a mudar.

Bingling Si, China

O Desfiladeiro dos Mil Budas

Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem lá desembarca, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante. Durante mais de um milénio e, pelo menos sete dinastias, devotos chineses exaltaram a sua crença religiosa com o legado de esculturas num estreito remoto do rio Amarelo. Quem lá desembarca, pode não achar todas as esculturas mas encontra um santuário budista deslumbrante. 

Dunhuang, China

Um Oásis na China das Areias

A milhares de quilómetros para oeste de Pequim, a Grande Muralha tem o seu extremo ocidental e a China é outra. Um inesperado salpicado de verde vegetal quebra a vastidão árida em redor. Anuncia Dunhuang, antigo entreposto crucial da Rota da Seda, hoje, uma cidade intrigante na base das maiores dunas da Ásia.

Lijiang, China

Uma Cidade Cinzenta mas Pouco

Visto ao longe, o seu casario vasto é lúgubre mas as calçadas e canais seculares de Lijiang revelam-se mais folclóricos que nunca. Em tempos, esta cidade resplandeceu como a capital grandiosa do povo Naxi. Hoje, tomam-na de assalto enchentes de visitantes chineses que disputam o quase parque temático em que se tornou.

Longsheng, China

A aldeia chinesa dos maiores cabelos do mundo. Nutridos a arroz, claro

Numa região multiétnica coberta de arrozais socalcados, as mulheres de uma aldeia renderam-se a uma mesma obsessão capilar. Deixam crescer os seus cabelos anos a fio, até um comprimento médio de 170 a 200 cm que faz da aldeia recordista. Por estranho que pareça, para os manterem belos e lustrosos, usam apenas água e o cereal. 

Lijiang e Yangshuo, China

Uma China Impressionante

Um dos mais conceituados realizadores asiáticos, Zhang Yimou dedicou-se às grandes produções ao ar livre e foi o co-autor das cerimónias mediáticas dos J.O. de Pequim. Mas Yimou também é responsável por “Impressions”, uma série de encenações não menos polémicas com palco em lugares emblemáticos. 

Lhasa, Tibete

A Sino-Demolição do Tecto do Mundo

Qualquer debate sobre soberania é acessório e uma perda de tempo. Quem quiser deslumbrar-se com a pureza, a afabilidade e o exotismo da cultura tibetana deve visitar o território o quanto antes. A ganância civilizacional Han que move a China não tardará a soterrar o milenar Tibete. 

Dali, China

Flash Mob à Moda Chinesa

A hora está marcada e o lugar é conhecido. Quando a música começa a tocar, uma multidão segue a coreografia de forma harmoniosa até que o tempo se esgota e todos regressam às suas vidas.
Lhasa, Tibete

Quando o Budismo se Cansa da Meditação

Nem só com silêncio e retiro espiritual se procura o Nirvana. No Mosteiro de Sera, os jovens monges aperfeiçoam o seu saber budista com acesos confrontos dialécticos e bateres de palmas crepitantes.

Huang Shan, China

A Montanha dos Picos Flutuantes

Os picos graníticos de Huang Shan, de que brotam pinheiros acrobatas, surgem em ilustrações artísticas sem conta. O cenário real, além de remoto, permanece mais de 200 dias escondido acima das nuvens.

Lhasa, Tibete

O Mosteiro da Sagrada Discussão

Em poucos lugares do mundo se usa um dialecto com tanta veemência como no mosteiro de Sera. Ali, centenas de monges travam, em tibetano, debates intensos e estridentes sobre os ensinamentos de Buda.

Pequim, China

O Coração do Grande Dragão

É o centro histórico incoerente da ideologia maoista-comunista e quase todos os chineses aspiram a visitá-la mas a Praça Tianamen será sempre recordada como um epitáfio macabro das aspirações da nação

Badaling, China

Uma Invasão Chinesa da Muralha da China

Com a chegada dos dias quentes, hordas de visitantes Han apoderam-se da maior estrutura criada pelo homem, recuam à era das dinastias imperiais e celebram o protagonismo recém-conquistado pela nação.

Minhocas
Arquitectura & Design

Tbilissi, Geórgia

Geórgia ainda com Perfume a Revolução das Rosas

Em 2003, uma sublevação político-popular fez a esfera de poder na Geórgia inclinar-se do Leste para Ocidente. De então para cá, a capital Tbilisi não renegou nem os seus séculos de história também soviética, nem o pressuposto revolucionário de se integrar na Europa. Quando a visitamos, deslumbramo-nos com a fascinante mixagem das suas passadas vidas.

Radical 24h por dia
Aventura

Queenstown, Nova Zelândia

Digna de uma Raínha

No séc. XVIII, o governo kiwi proclamou uma vila mineira da ilha do Sul "fit for a Queen". Hoje, os cenários e as actividades extremas reforçam o estatuto majestoso da sempre desafiante Queenstown.

Voo marinho
Cerimónias e Festividades

Ilha da Páscoa, Chile

A Descolagem e a Queda do Culto do Homem-Pássaro

Até ao século XVI, os nativos da Ilha da Páscoa esculpiram e idolatraram enormes deuses de pedra. De um momento para o outro, começaram a derrubar os seus moais. Sucedeu-se a veneração de tangatu manu, um líder meio humano meio sagrado, decretado após uma competição dramática pela conquista de um ovo.

Bar sobre o grande estuário
Cidades

Sydney, Austrália

De Desterro de Criminosos a Cidade Exemplar

A primeira das colónias australianas foi erguida por reclusos desterrados. Hoje, os aussies de Sydney gabam-se de antigos condenados da sua árvore genealógica e orgulham-se da prosperidade cosmopolita da megalópole que habitam. 

Orgulho
Comida

Vale de Fergana, Usbequistão

A Nação a Que Não Falta o Pão

Poucos países empregam os cereais como o Usbequistão. Nesta república da Ásia Central, o pão tem um papel vital e social. Os Usbeques produzem-no e consomem-no com devoção e em abundância.

Rosa Puga
Cultura

Campeche, México

Há 200 Anos a Brincar com a Sorte

No fim do século XVIII, os campechanos renderam-se a um jogo introduzido para esfriar a febre das cartas a dinheiro. Hoje, jogada quase só por abuelitas, a loteria local pouco passa de uma diversão.

Bola de volta
Desporto

Melbourne, Austrália

O Futebol em que os Australianos Ditam as Regras

Apesar de praticado desde 1841, o AFL Rules football só conquistou parte da grande ilha. A internacionalização nunca passou do papel, travada pela concorrência do râguebi e do futebol clássico.

Eternal Spring Shrine
Em Viagem

Garganta de Taroko, Taiwan

Nas Profundezas de Taiwan

Em 1956, taiwaneses cépticos duvidavam que os 20km iniciais da Central Cross-Island Hwy fossem possíveis. O desfiladeiro de mármore que a desafiou é, hoje, o cenário natural mais notável da Formosa.

No coração amarelo de San Cristóbal
Étnico

San Cristóbal de Las Casas, México

O Lar Doce Lar da Consciência Social Mexicana

Maia, mestiça e hispânica, zapatista e turística, campestre e cosmopolita, San Cristobal não tem mãos a medir. Nela, visitantes mochileiros e activistas políticos mexicanos e expatriados partilham uma mesma demanda ideológica.

Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Rumo ao vale
História

Alaverdi, Arménia

Um Teleférico Chamado Ensejo

O cimo da garganta do rio Debed esconde os mosteiros arménios de Sanahin e Haghpat e blocos de apartamentos soviéticos em socalcos. O seu fundo abriga a mina e fundição de cobre que sustenta a cidade. A ligar estes dois mundos, está uma cabine suspensa providencial em que as gentes de Alaverdi contam viajar na companhia de Deus.

Torres Kanak
Ilhas

Grande Terre, Nova Caledónia

O Grande Calhau do Pacífico do Sul

James Cook baptizou assim a longínqua Nova Caledónia porque o fez lembrar a Escócia do seu pai, já os colonos franceses foram menos românticos. Prendados com uma das maiores reservas de níquel do mundo, chamaram Le Caillou à ilha-mãe do arquipélago. Nem a sua mineração obsta a que seja um dos mais deslumbrantes retalhos de Terra da Oceânia.

Frígida pequenez
Inverno Branco

Kemi, Finlândia

Não é Nenhum “Barco do Amor” mas Quebra Gelo desde 1961

Construído para manter vias navegáveis sob o Inverno árctico mais extremo, o “Sampo” cumpriu a sua missão entre a Finlândia e a Suécia durante 30 anos. Em 1988, reformou-se e dedicou-se a viagens mais curtas que permitem aos passageiros flutuar num canal recém-aberto do Golfo de Bótnia, dentro de fatos que, mais que especiais, parecem espaciais.

Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Um cenário imponente
Natureza

Cilaos, Reunião

Refúgio sob o tecto do Índico

Cilaos surge numa das velhas caldeiras verdejantes da ilha de Reunião. Foi inicialmente habitada por escravos foragidos que acreditavam ficar a salvo naquele fim do mundo. Uma vez tornada acessível, nem a localização remota da cratera impediu o abrigo de uma vila hoje peculiar e adulada.

Filhos da Mãe-Arménia
Outono

Erevan, Arménia

Uma Capital entre o Leste e o Ocidente

Herdeira da civilização soviética, alinhada com a grande Rússia, a Arménia deixa-se seduzir pelos modos mais democráticos e sofisticados da Europa Ocidental. Nos últimos tempos, os dois mundos têm colidido nas ruas da sua capital. Da disputa popular e política, Erevan ditará o novo rumo da nação.

Caminhada Solitária
Parques Naturais

Mérida, Venezuela

Nos Confins Andinos da Venezuela

Nos anos 40 e 50, a Venezuela atraiu 400 mil portugueses mas só metade ficou em Caracas. Em Mérida, encontramos lugares mais semelhantes às origens e a geladaria excêntrica dum portista imigrado.

A fortaleza e a catedral
Património Mundial Unesco

Novgorod, Rússia

A Avó Viquingue da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.

Cabana de Brando
Personagens

Apia, Samoa Ocidental

A Anfitriã do Pacífico do Sul

Vendeu burgers aos GI’s na 2ª Guerra Mundial e abriu um hotel que recebeu Marlon Brando e Gary Cooper. Aggie Grey faleceu em 1988 mas o seu legado de acolhimento perdura no Pacífico do Sul.

Praia
Gizo, Ilhas Salomão

Gala dos Pequenos Cantores de Saeraghi

Em Gizo, ainda são bem visíveis os estragos provocados pelo tsunami que assolou as ilhas Salomão. No litoral de Saeraghi, a felicidade balnear das crianças contrasta com a sua herança de desolação.
Céu Divinal
Religião

Monte Sinai, Egipto

Força nas Pernas e Fé em Deus

Moisés recebeu os Dez Mandamentos no cume do Monte Sinai e revelou-os ao povo israelita. Hoje, centenas de peregrinos vencem, todas as noites, os 4000 degraus daquela dolorosa mas mística ascensão.

A todo o vapor
Sobre carris

Ushuaia, Argentina

O Derradeiro Comboio Austral

Até 1947, o Tren del Fin del Mundo fez incontáveis viagens para que os condenados do presídio de Ushuaia cortassem lenha. Hoje, os passageiros são outros mas nenhuma outra composição passa mais a Sul

Comodidade até na Natureza
Sociedade

Tóquio, Japão

O Império das Máquinas de Bebidas

São mais de 5 milhões as caixas luminosas ultra-tecnológicas espalhadas pelo país e muitas mais latas e garrafas exuberantes de bebidas apelativas. Há muito que os japoneses deixaram de lhes resistir.

Um
Vida Quotidiana

Talisay City, Filipinas

Monumento a um Amor Luso-Filipino

No final do século XIX, Mariano Lacson, um fazendeiro filipino e Maria Braga, uma portuguesa de Macau, apaixonaram-se e casaram. Durante a gravidez do que seria o seu 11º filho, Maria sucumbiu a uma queda. Destroçado, Mariano ergueu uma mansão em sua honra. Em plena 2ª Guerra Mundial, a mansão foi incendiada mas as ruínas elegantes que resistiram eternizam a sua trágica relação.

Acima de tudo
Vida Selvagem

Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história. 

Pleno Dog Mushing
Voos Panorâmicos

Glaciar de Godwin, Alasca

Dog mushing estival

Estão quase 30º e os glaciares degelam. No Alasca, os empresários têm pouco tempo para enriquecer. Até ao fim de Agosto, os cães e os trenós não podem parar.