Cabo da Boa Esperança, África do Sul

À Beira do Velho Fim do Mundo


Uma Busca solitária

Avestruz juvenil percorre a areia branca à procura dos progenitores.

Dias Beach

Ondas pujantes, correntes, ventos poderosos e uma água gélida fazem da Praia de Dias impraticável para banhos. Mas há sempre quem o tente...

É assim o Cabo

O Cabo da Boa Esperança, bem desenhado para lá da Praia de Dias.

Para mais tarde recordar

Grupo de visitantes faz-se fotografar atrás da placa emblemática do Cabo da Boa Esperança

Litoral selvagem

Calhaus de basalto e uma densa colónia de algas troncosas preenchem boa parte da costa a norte do Cabo.

Uma Busca solidária

Jovens avestruzes douradas pelo luz do derradeiro sol do dia, mantêm-se juntas na aflição de verem bloqueado o acesso para junto dos progenitores.

Luz à navegação

O farol da Ponta do Cabo, sobre um dos pontos litorais mais elevados da Península do Cabo.

Cabo Dourado

Avestruz percorre o areal de uma praia próxima do Cabo da Boa Esperança, ao fim do dia.

Dias Beach II

Outra perspectiva da Dias Beach, com o farol da Ponta do Cabo em fundo.

História d'Ouro

O pelourinho de Bartolomeu Dias ao pôr-do-sol. Não muito longe, está o dedicado ao navegador Vasco da Gama. Foram ambos mandados erigir pelo estado português

Chegamos onde a grande África cedia aos domínios do “Mostrengo” Adamastor e os navegadores portugueses tremiam como varas. Ali, onde a Terra estava, afinal, longe de acabar, a esperança dos marinheiros em dobrar o tenebroso Cabo era desafiada pelas mesmas tormentas que lá continuam a grassar.

Pelas contas do calendário, quando damos entrada na Cidade do Cabo, vindos de uma longa travessia sul-africana a bordo de um camião, já o Inverno se devia ter instalado. E, no entanto, os dias sucedem-se com céu limpo e calor a roçar os 30º, nada que aquecesse as águas frígidas, sempre repletas de algas troncudas que castigam as falésias e areais hiperbólicos destas paragens. Agradecidos ao Adamastor pela benevolência meteorológica, deliciamo-nos com o seu temido território.

Mesmo se a atmosfera é soalheira, o vento sopra furibundo de cada vez que nos aproximamos dos abismos para que espreita a Table Mountain, a meseta imponente e crua que o continente negro exibe como a sua derradeira obra orográfica. Prenda-nos com resquícios da cacimba soprada do horizonte meridional, de onde a montanha se desdobra em formas ainda mais caprichosas e se mete, como quem não quer nem saber, nos embates dolorosos do mar. Lá, onde numa não menos pungente missão, a História as uniu num longo e esforçado abraço. Era-nos impossível resistir ao apelo daquele outro lugar. Não tardaríamos a persegui-lo.

Na viragem do século XV para o XIV, os homens lusos embarcados com rumo austral receavam a silhueta desta meseta como nenhuma outra elevação por que passavam. Confrontavam-na como mau augúrio de aflições e de mais que prováveis desventuras causadas pela batalha entre os dois vastos oceanos: o Atlântico que já domavam; e, para leste, o Índico de que pouco ou nada podiam supor.

O medo exacerbado da Terra Incognita abaixo do Cabo Bojador suscitava, nas suas mentes, uma panóplia de miragens e paranoias. Aos poucos, à custa de muita vivência e resiliência colectiva, os marinheiros portugueses aprenderam a defender-se. Com Bartolomeu Dias ao comando, dobraram o Cabo das Tormentas e assim começaram a desmistificar o desconhecido. O feito teve a continuidade que merecia. Nem por isso a travessia se tornou fácil.  

Tinham passado quarenta e cinco anos desde o feito de Dias. O medo era já secular. A meio do recém-aberto Caminho para as Índias, a costa quase sobrenatural que há tanto o causava também deixou Luís de Camões em apuros.

Decorria a Primavera de 1533. Camões seguia a bordo da nau “São Bento”, parte da frota de Fernão Álvares Cabral que navegava a rota antes percorrida por Vasco da Gama. Por altura do Cabo da Boa Esperança, a “São Bento” e três outras embarcações viram-se envoltas numa tempestade brutal. Só a “São Bento” se salvou. Camões teve a fortuna do seu lado mas sentiu na pele gélida e arrepiada a inspiração para eternizar, no canto V dos “Lusíadas”, o imaginário monstruoso que atemorizava até os mais intrépidos lobos do mar.

 

39

Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.

 

40 (…)
C'um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mim e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.

 

Continuamos na demanda do que, ao longo dos séculos de Descobertas, o havia causado. Partimos do bairro costeiro de Sea Point numa manhã de Sábado enevoada. Percorremos a estrada que serpenteia, quase sempre junto ao oceano, pela base das falésias a sul da Cidade do Cabo. Desviamos para a enseada ampla de Hout Bay, àquela hora, repleta de desportistas compenetrados em se livrarem das más energias da semana. Prosseguimos estrada M6 acima. Atravessamos para o leste, apontados a Simons Town, uma povoação que atrai hordas de forasteiros intrigados pelas colónias de pinguins residentes em redor da Boulders Beach.

Dali, atentos aos repetidos avisos de travessia de babuínos e à eventual presença dos símios, progredimos costa leste abaixo.

O primeiro indício que temos do Cabo é o farol vermelho e branco sobre o mais elevado dos promontórios. Ascendemos às suas alturas. Durante a subida, em cada varandim em que tentamos espreitar o cenário abaixo, quase somos varridos pelo vento insano que castiga a vertente oeste. Voltamos a descer os degraus antes vencidos e atalhamos para o trilho que conduzia à secção norte do Cabo, aquela por que os marinheiros primeiro tinham que passar. 

Não tarda, chegamos ao cimo da Praia de Dias. Um aviso alerta para o perigo atroz de qualquer tentativa de banho naquelas águas. Esse mesmo perigo estava desenhado no mar como em poucos outros lugares o tínhamos constatado. Ondas magistrais precipitavam-se sobre o areal com uma violência desconcertante e o vento empurrava a água que lhes ficava atrás mar-adentro de forma tão intensa que a sua acção produzia grandes radiais brancas, semelhantes às deixadas pelos helicópteros quando planam, rasos, sobre a água.

Sentamo-nos a apreciar a tão deslumbrante selvajaria marítima. Enquanto o fazemos, vêm-nos de novo à mente as agruras vividas por Bartolomeu Dias, Vasco da Gama e por todos os navegadores e marinheiros que os seguiram. Bartolomeu Dias, o pioneiro, acabou por entregar a sua vida ao Cabo.

Em 1488, D. João II encarregou-o de procurar o rei cristão Prestes João e de encontrar uma rota para as Índias. As duas caravelas de cerca de cinquenta toneladas que comandava navegaram sem sobressaltos de maior ao largo da sempre agitada Angra dos Ilhéus (junto à actual cidade namibiana de Lüderitz) e do Cabo das Tormentas. Mas, em seguida, entraram num dos terríveis temporais característicos da zona. Rezam as crónicas que as embarcações ficaram treze dias sem controle, a debater-se com o vento e as ondas. Chegada a bonança, Bartolomeu Dias ordenou navegação para leste, em busca da costa. Só encontrou mar e decidiu rumar a norte.

Nesse acerto, detectou diversos portos da costa da África do Sul de hoje. Passada a baía da actual Port Elisabeth, deu com um rio. Bartolomeu Dias baptizou-o de rio do Infante. Então, desgastada pelos muitos dias de agonia que havia vivido, a tripulação forçou-o a voltar a Portugal. No regresso, Dias apercebeu-se que tinha contornado o extremo sul de África.

O rei D. João II decretou a famosa alteração do nome Cabo das Tormentas para Cabo da Boa Esperança. A epopeia das Descobertas portuguesas continuou a fluir, apontada como nunca antes ao Oriente.

O feito de Bartolomeu Dias provou-se de tal forma revolucionário para a ordem mercantil que vigorava entre o Velho Mundo, África e Ásia que o Cabo da Boa Esperança foi alvo de todas as atenções e a sua visita por viajantes – marinheiros ou meros leigos do mar – ainda hoje é celebrada à altura.

Deixamos a Praia de Dias. Prosseguimos novo promontório acima. Quanto mais subimos, mais o vento recupera a agressividade que já nos revelara na Ponta do Cabo. Ainda assim, os turistas imitavam-se em fotografias arrepiantes, nos recantos mais arriscados daquela paisagem extrema.

Apenas um outro longo trilho os separava da base do Cabo, onde os menos aptos a caminhadas íngremes ou sobre penhascos aguçados se contentavam com as fotos da praxe atrás da placa de madeira que identifica, em afrikaans e em inglês, o derradeiro ponto sudoeste do continente africano, não o sul. Esse, situa-se no muito menos exuberante e badalado Cabo Agulhas, a 150 km para leste.

Na senda descobridora de Dias, Vasco da Gama habituou-se a vencer as sucessivas tempestades e o Cabo da Boa Esperança em geral: uma, duas, três vezes, o mesmo número de viagens que levou a bom porto para a Índia. Acabou por falecer em Cochim, com cinquenta e cinco anos. Já no que disse respeito a Bartolomeu Dias, o destino e o Cabo da Boa Esperança provaram-se cruéis. Em 1500, Dias era um dos capitães da segunda expedição “indiana” liderada por Pedro Alvares Cabral que veio a descobrir o Brasil e prosseguiu para leste, em direcção à Índia.

Pois, a 29 de Maio, quatro dos barcos desta expedição confrontaram-se com nova enorme tempestade ao largo do Cabo. Todos desapareceram, incluindo o capitaneado por Bartolomeu Dias, então com cinquenta anos. Para Dias, o Cabo nunca deixou de ser das Tormentas. Quando relembramos este facto, guardamos por ambos, admiração a dobrar. Continuamos a explorar os cenários daqueles confins até que as trevas nos levassem o privilégio.

Uma floresta de grandes algas, como as que víramos ao largo da Cidade do Cabo, preenchia o mar ali bem mais acinzentado e alisado que na praia de Dias. Com o sol prestes a pôr-se, deixamos a zona da placa sempre concorrida e dirigimo-nos à saída do parque. Não fazemos sequer trezentos metros.

Duas avestruzes percorriam a beira-mar em busca de alimento. Detemo-nos e fotografamo-las à distância, não tanta como aquela em que vislumbramos várias mais, a tentarem ultrapassar uma barreira rochosa que as separava dos progenitores.

Um trilho de surfistas conduz-nos às suas imediações e permite-nos apreciar o seu comportamento naquela situação de desconforto. Sempre o mais juntas possível, as jovens aves alinhavam-se e esticavam as cabeças de forma tão sincronizada que nos parecem uma única assustada criatura, uma espécie de deusa indiana Shakti asada.

O sol começa a livrar-se das nuvens roxas que o aprisionavam. Incide na praia e no bando de aves. Estas, agrupadas pela Natureza, exibem-se, também por ela amareladas.

Quando o grande astro se liberta de vez, tinge toda a praia de um dourado resplandecente e gera silhuetas mágicas das aves. Foram as derradeiras e insólitas imagens que guardámos do Cabo.

Table Mountain, África do Sul

À Mesa do Adamastor

Dos tempos primordiais das Descobertas à actualidade, a Table Mountain sempre se destacou acima da imensidão sul-africana e dos oceanos em redor. Os séculos passaram e a Cidade do Cabo expandiu-se a seus pés. Tanto os capetonians como os forasteiros de visita se habituaram a contemplar, a ascender e a venerar esta meseta imponente e mítica.

Graaf-Reinet, África do Sul

Uma Lança Bóer na África do Sul

Nos primeiros tempos coloniais, os exploradores e colonos holandeses tinham pavor do Karoo, uma região de grande calor, grande frio, grandes inundações e grandes secas. Até que a Companhia Holandesa das Índias Orientais lá fundou Graaf-Reinet. De então para cá, a quarta cidade mais antiga da nação arco-íris prosperou numa encruzilhada fascinante da sua história. 

Ilha de Moçambique

A Ilha de Ali Musa Bin Bique. Perdão, de Moçambique

Com a chegada de Vasco da Gama ao extremo sudeste de África, os portugueses tomaram uma ilha antes governada por um emir árabe a quem acabaram por adulterar o nome. O emir perdeu o território e o cargo. Moçambique - o nome moldado - perdura na ilha resplandecente em que tudo começou e também baptizou a nação que a colonização lusa acabou por formar.

Lüderitz, Namibia

Wilkommen in Afrika

O chanceler Bismarck sempre desdenhou as possessões ultramarinas. Contra a sua vontade e todas as probabilidades, em plena Corrida a África, o mercador Adolf Lüderitz forçou a Alemanha assumir um recanto inóspito do continente. A cidade homónima prosperou e preserva uma das heranças mais excêntricas do império germânico.

Santa Lucia, África do Sul

Uma África Tão Selvagem Quanto Zulu

Na eminência do litoral de Moçambique, a província de KwaZulu-Natal abriga uma inesperada África do Sul. Praias desertas repletas de dunas, vastos pântanos estuarinos e colinas cobertas de nevoeiro preenchem esta terra selvagem também banhada pelo oceano Índico. Partilham-na os súbditos da sempre orgulhosa nação zulu e uma das faunas mais prolíficas e diversificadas do continente africano.

Galle, Sri Lanka

Nem Além, Nem Aquém da Lendária Taprobana

Camões eternizou o Ceilão como um marco indelével das Descobertas onde Galle foi das primeiras fortalezas que os portugueses controlaram e cederam. Passaram-se cinco séculos e o Ceilão deu lugar ao Sri Lanka. Galle resiste e continua a seduzir exploradores dos quatro cantos da Terra.

Cebu, Filipinas

O Atoleiro de Magalhães

Tinham decorrido quase 19 meses de navegação pioneira e atribulada em redor do mundo quando o explorador português cometeu o erro da sua vida. Nas Filipinas, o carrasco Datu Lapu Lapu preserva honras de herói. Em Mactan, uma sua estátua bronzeada com visual de super-herói tribal sobrepõe-se ao mangal da tragédia.

Elmina, Gana 

O Primeiro Jackpot dos Descobrimentos Portugueses

No séc. XVI, Mina gerava à Coroa mais de 310 kg de ouro anuais. Este proveito suscitou a cobiça da Holanda e da Inglaterra que se sucederam no lugar dos portugueses e fomentaram o tráfico de escravos para as Américas. A povoação em redor ainda é conhecida por Elmina mas, hoje, o peixe é a sua mais evidente riqueza.

Ushuaia, Argentina

A Última das Cidades

A capital da Terra do Fogo marca o limiar austral da civilização. Dali partem inúmeras incursões ao continente gelado. Nenhuma destas aventuras de toca e foge se compara à da vida na cidade final.

Canal Beagle, Argentina

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Em 1833, Charles Darwin navegou a bordo do "Beagle" pelos canais da Terra do Fogo. A sua passagem por estes confins meridionais moldou a teoria revolucionária que formulou da Terra e das suas espécies

A pequena-grande Senglea
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Fila Vietnamita
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