Suzdal, Rússia

1000 Anos de Rússia à Moda Antiga


Cortejo garrido

Sacerdotes ortodoxos levam a cabo uma procissão em honra de Santo Eutímio.

Ciclismo pós-dilúvio

Ciclistas passam em frente ao Convento da Intercessão.

Lada ainda não deposto

Velho Lada circula junto à fachada da Catedral da Deposição.

Conversa Ortodoxa

Crianças falam na escadaria que dá acesso à igreja principal do Convento da Intercessão.

Passeio abençoado

Casal percorre um trilho ao longo da fachada do Mosteiro de Santo Eutímio.

Igrejas de madeira

Funcionária em trajes tradicionais no Museu de Arquitectura de Madeira e Vida Camponesa.

Padre ortodoxa cumprimenta uma Madre Superiora, em Suzdal.

Jovem toca viola para duas amigas na margem elevada do rio Kamemka.

Garrafas de Cerveja de Mel numa loja de Suzdal.

Morador de Suzdal empurra criança num carrinho de bébé, junto a uma casa tradicional de madeira colorida (isba).

O rio Kamenka, nas imediações do museu de Arquitectura de Madeira.

Criança acompanha uma sessão fotográfica pós-casamento protagonizada pelos noivos Victoria e Vseudod.

Victoria e Vseudod posam para a fotografia em trajes cossacos.

Pintora inspira-se na paisagem bucólica de Suzdal, com uma nuvem Cumulus Nimbus por detrás.

Cúpulas ortodoxas da catedral da Natividade, parte do Kremlin de Suzdal.

Mulher passa diante de uma das muitas igrejas de Suzdal.

Catedral da Transfiguração e a torre de sinos, no interior do Mosteiro de Santo Eutímio.

Pintura iluminada a velas no interior da Catedral da Transfiguração, parte do Mosteiro de Santo Eutímio.

Igreja de madeira de São Nicolau junto à Catedral da Natividade.

Igreja da Transfiguração original da vila de Kozliatyevo e erguida em 1756.

Foi uma capital pródiga quando Moscovo não passava de um lugarejo rural. Pelo caminho, perdeu relevância política mas acumulou a maior concentração de igrejas, mosteiros e conventos do país dos czares. Hoje, sob as suas incontáveis cúpulas, Suzdal é tão ortodoxa quanto monumental.

Dona Irina Zakharova, a matryoshka proprietária da casa-pousada e híper-atenciosa anfitriã dá os últimos retoques na lida da cozinha. Pouco depois, incorre num longo briefing em russo que atrasa as aventuras gastronómicas dos seus mais recentes h

óspedes. Alexey Kravchenko absorve cada uma das palavras metralhadas pela sopeira e responde o menos que pode num compromisso delicado entre a cortesia e a fome. Mal se liberta da pena, espreita para dentro do nosso quarto e dá o alerta porque esperávamos. “Cozinha livre!

Vamos ao almoço!”

Há dias que este petersburguês pachorrento nos tentava impingir, em inglês, um tal de buckwheat. Não tínhamos a tradução presente e, quando comprámos o cereal no supermercado, ficámos quase

na mesma ignorância. Comprovou-se, ao menos, a teoria de Alexey de que era fácil de preparar. Alguns minutos de frigideira depois, estamos à mesa a saborear uma refeição improvisada de peixe guarnecida com trigo sarraceno e vegetais que acompanhamos com diferentes medovukhas, cidras de mel com sabor de cerveja adocicada. Esta bebida conventual de Suzdal tornou-se num delicioso hábito maldito que nos acompanharia até ao norte da Rússia: a Novgorod no nosso caso; ao seu domicílio de São Petersburgo, no que disse respeito ao cicerone.

Alexey tinha colocado sobre a mesa vários pepinos pequenos, lavados mas por descascar. Devorava um atrás do outro quando reparou que não lhes tocávamos: “Então e os pepinos? “ pergunta-nos indignado. Explicamos-lhe que não estamos para aí virados até porque partilhávamos da noção portuguesa de que o pepino era indigesto e poderia facilmente arruinar-nos a tarde de exploração que se aproximava. À sua maneira eslavo-contida, Alexey quase salta da cadeira: “O quê? Estão a brincar, não? Eu sou louco por pepinos e não faço ideia do que estão a falar. Indigesto? Mas são só água. A mim não me dá problema nenhum, muito pelo contrário. Aliás… na Rússia, em geral, somos quase todos viciados. Por estes lados, ainda mais. Dentro de uns dias vão poder ver o quanto.” E continua a devorar mini-pepino atrás de mini-pepino.

Terminado o repasto e a recuperação da cozinha para uso dos restantes hóspedes regressámos à descoberta da bucólica Suzdal. 

Ao contrário de muitas das cidades medievais no Golden Ring – cintura histórica que envolve Moscovo – que tiveram que ceder à modernidade, devido à sua importância primordial, Suzdal conquistou um estatuto de protecção federal que limitou o desenvolvimento urbanístico e lhe permitiu permanecer como que parada no tempo, entregue à sumptuosidade e elegância das suas inúmeras e variadas igrejas e catedrais ortodoxas, aos mosteiros e conventos assim como a outros edifícios dentro e fora do kremlin local. 

À medida que caminhamos ao longo das margens ou quando atravessamos as pontes que o cruzam constatamos a graciosidade com que o rio Kamenka serpenteia vagarosamente pela povoação. E como a sua aparente imobilidade reforça o ambiente da época em que Suzdal atingiu o auge enquanto capital de diversos principados, séculos depois de os colonos viquingues terem navegado rio Volga acima, ocupado parte substancial da Rússia ocidental, Bielorússia e Ucrânia actuais – incluindo estas paragens por onde andamos – e fundado aquela a que chamaram Sursdalar ou Sudrdala (Vale do Sul), um termo que se repete nas sagas nórdicas. Tudo isto teve lugar sob a liderança de uma dinastia de nome Rus’ que viria a dar origem à nação russa.

Falta ao Kamenka a dimensão e fluidez do Volga. Mesmo assim, alguns descendentes menos destemidos dos fundadores escandinavos têm dificuldade em nele se meterem. Caminhamos com vista privilegiada sobre o rio quando nos apercebemos de um pai e filho receosos de mergulhar na água gélida enquanto a matriarca da família os incita e desespera pelo momento de máquina fotográfica em riste.

Mais à frente, um de tantos pintores em formação na cidade esboça a os cenários e o que se vai passando, sentado contra a muralha, sob as cúpulas verdes e dourada que se projectam do interior.

Em Suzdal, as igrejas e catedrais ortodoxas estão por todo o lado. A sua proliferação dispersa mas harmoniosa empresta ao lugar um estranho visual de conto de fadas. Uma vez que passamos junto da entrada do Mosteiro do Salvador, aproveitamos para nos inteirarmos um pouco mais da história a sério. 

Examinamos a torre do sino e os aposentos do Padre Superior. Deixamos a Catedral da Transfiguração do Salvador para o fim. Quando entramos, cinco homens todos vestidos em estilo negrume-Matrix parecem guardar a entrada para a nave principal. Num momento de fertilidade imaginativa, conjecturamos que esperavam por um qualquer multimilionário mafioso moscovita de visita à terra natal. Avançamos para o interior e examinamos as pinturas religiosas ortodoxas na companhia de duas crianças e dos pais que fazem o mesmo no sentido inverso.

Toca o sino lá fora. Os homens de negro entram de rompante na sala e fecham a porta. Ocorre-nos que podíamos estar em apuros. Os “seguranças” alinham-se sobre um degrau elevado de acesso ao altar e dão início a um recital de canto coral relâmpago em russo, amplificado pela acústica perfeita do templo. Menos de dois minutos depois, a cantoria fabulosa termina. Nós e os outros adultos batemos palmas contidas pelo espanto que perdurava. As crianças recuperam da surpresa. Os intérpretes apressados, esses, saem disparados pela porta como se nada se tivesse passado. 

Os eventos surpresa não se ficariam por aí.   Num dos dias seguintes tínhamos planeado sair cedo em direcção a Bogolubovo, uma de várias povoações menores nas redondezas mas, Alexey acorda mais uma vez tarde e atrasa a partida. Por estranho que pareça, em boa hora.

Já são onze da manhã quando nos aproximamos do centro de Suzdal. Sem que o esperássemos, avistamos um cortejo garrido que se interna numa rua recolhida em que se alinham dezenas de izbas, as casas rurais de madeira típicas destas zonas campestres, construídas sem recurso a metais e pintadas em tons fortes.

Pedimos a Alexey para estacionar na berma e corremos para nos juntarmos à procissão. Na cauda da marcha seguem beatos masculinos e femininos. Lideram-na sacristãos e acólitos porta-estandartes, seguidos de sacerdotes ortodoxos quase todos com barbas fartas e grisalhas. Faz um calor desconfortável mas os religiosos trajam phelons e phelonions, batinas litúrgicas todas negras ou bordadas e debruadas que combinam dourados com cores vivas. Quatro destes padres carregam sobre os ombros um pequeno relicário também ele dourado envolto num pano aveludado escarlate. Vencidas algumas centenas de metros, apurámos que se tratava de uma cerimónia dedicada a Santo Eutímio, um asceta  do século XIV que, abençoado por outro monge mais conceituado de nome Dionísio, conquistou a admiração do Príncipe Boris Konstantinovich de Novgorod e Suzdal e, em 1332, fundou o Mosteiro do Salvador, nesta última povoação.

Respeitado devido à fé profunda que mantinha, Eutímio viria a ascender a Padre Superior do mosteiro, onde empregava aquela devoção para aperfeiçoar a vida eclesiástica. A sua hagiografia descreve ainda que rezava com disciplina espartana, por vezes, em lágrimas e que transpôs para o mosteiro o estilo de vida cenobita que havia levado anos antes, com o exemplo inspirador de Dionísio. Eutímio morreu em 1404 e foi enterrado na Catedral da Transfiguração. Em 1547, foi canonizado e o seu culto disseminou-se por toda a nação, com vigor acentuado entre os fiéis de Suzdal. 

Quase todos os participantes do cortejo entoam salmos religiosos ortodoxos a viva voz, se bem que incomparavelmente mais desafinados que o blitz-quinteto que nos havia assustado. Até que a procissão entra pelo portão apertado da Igreja Sinodal do Ícone Ibérico da Mãe de Deus, o seu destino final.

Os padres sobem a escadaria curta, depositam o relicário no interior do templo e dispõem-se em frente ao altar, preparados para dar início à liturgia. Os crentes distribuem-se de pé aquém de um grande lustre e de uma panóplia exuberante de artefactos religiosos dourados, coroas de flores e imagens de Santo Eutímio. Quando o sacerdote que conduz a missa dá início às orações e cânticos, imitam-no com dedicação. 

Numa lenta mistura química, a profusão de velas acesas, os muitos crentes e a meteorologia da zona geram um bafo pesado que intensifica a mistura dos cheiros da cera queimada, dos incensos e de suor. Os fiéis seguem a eucaristia entregues a Deus, mas alguns perdem a concentração e deixam-se levar em mesquinhices. Pela nossa parte, na confusão da entrada, tínhamo-nos esquecido das pernas removíveis que promoviam os calções a calças e poderiam legitimar a nossa presença aos olhos da Igreja Ortodoxa. Duas senhoras em particular reparam na falha. Em vez de cantarem e acompanharem a cerimónia, dedicam-se a reportá-la aos crentes em redor que, felizmente, a ignoram. Apreciamos a comunhão, outros ritos e rituais encerrados pouco depois de os crentes beijarem um crucifixo dourado que o sacerdote que reza a missa segura contra o peito. Finda a cerimónia, os crentes regressam à rua, seguidos dos padres que aproveitam para cumprimentar a Madre Superiora do convento anexo com sentimento.

Nesse e noutros fins de tarde, apreciamos a vida pacata de Suzdal. Os grupos de amigos reunidos em redor de cervejas e guitarras em frente a um meandro do Kamenka, nas costas ervadas das arcadas do mercado. Na face contrária, vendedores entretêm-se com longos diálogos só interrompidos quando surgem compradores dos seus frutos silvestres. Vemos enormes bandos de corvos ora esvoaçantes ora pousados dedicados a devorar os vermes e insectos no relvado em frente à igreja de madeira de São Nicolau. Por ali, admiramos ainda cumulus nimbus ameaçadores deslizarem detrás da projecção das cúpulas e cruzes ortodoxas da Catedral da Natividade da Virgem. 

Seriam estes os últimos dias de pacatez indisputada de Suzdal.

Chegamos a Sábado de manhã. Deliciamo-nos com o mingau de arroz que Dona Irina nos tinha preparado para o pequeno-almoço, deixamos Alexey mais uma vez no sétimo sono e saímos a pé. 

Rostov Veliky, Rússia

Sob as Cúpulas da Alma Russa

É uma das mais antigas e importantes cidades medievais, fundada durante as origens ainda pagãs da nação dos czares. No fim do século XV, incorporada no Grande Ducado de Moscovo, tornou-se um centro imponente da religiosidade ortodoxa. Hoje, só o esplendor do kremlin moscovita suplanta o da cidadela da tranquila e pitoresca Rostov Veliky.

Guwahati, India

A Cidade Prolífica que Venera o Desejo e a Fertilidade

Guwahati é a maior cidade do estado de Assam e do Nordeste indiano. Também é uma das que mais se desenvolve do mundo. Para os hindus e crentes devotos do Tantra, não será coincidência lá ser venerada Kamakhya, a deusa-mãe da criação.

Novgorod, Rússia

A Avó Viquingue da Mãe Rússia

Durante quase todo o século que passou, as autoridades da U.R.S.S. omitiram parte das origens do povo russo. Mas a história não deixa lugar para dúvidas. Muito antes da ascensão e supremacia dos czares e dos sovietes, os primeiros colonos escandinavos fundaram, em Novgorod, a sua poderosa nação.

Arménia

O Berço do Cristianismo Oficial

Apenas 268 anos após a morte de Jesus, uma nação ter-se-á tornado a primeira a acolher a fé cristã por decreto real. Essa nação preserva, ainda hoje, a sua própria Igreja Apostólica e alguns dos templos cristãos mais antigos do Mundo. Em viagem pelo Cáucaso, visitamo-los nos passos de Gregório o Iluminador, o patriarca que inspira a vida espiritual da Arménia.

Suzdal, Rússia

Séculos de Devoção a um Monge Devoto

Eutímio foi um asceta russo do século XIV que se entregou a Deus de corpo e alma. A sua fé inspirou a religiosidade de Suzdal. Os crentes da cidade veneram-no como ao santo em que se tornou.

Montezuma, Costa Rica

Um Recanto Abnegado da Costa Rica

A partir dos anos 80, Montezuma acolheu uma comunidade cosmopolita de artistas, ecologistas, pós-hippies, de adeptos da natureza e do famoso deleite costariquenho. Os nativos chamam-lhe Montefuma.

São Petersburgo, Rússia

A Rússia Vai Contra a Maré mas, Siga a Marinha.

A Rússia dedica o último Domingo de Julho às suas forças navais. Nesse dia, uma multidão visita grandes embarcações ancoradas no rio Neva enquanto marinheiros afogados em álcool se apoderam da cidade.

Suzdal, Rússia

Em Suzdal, é de Pequenino que se Celebra o Pepino

Com o Verão e o tempo quente, a cidade russa de Suzdal descontrai da sua ortodoxia religiosa milenar. A velha cidade também é famosa por ter os melhores pepinos da nação. Quando Julho chega, faz dos recém-colhidos um verdadeiro festival. 

Ilhas Solovetsky, Rússia

A Ilha-Mãe do Arquipélago Gulag

Acolheu um dos domínios religiosos ortodoxos mais poderosos da Rússia mas Lenine e Estaline transformaram-na num gulag cruel. Com a queda da URSS, Solovestky recupera a paz e a sua espiritualidade.

São Petersburgo, Rússia

Na Pista de "Crime e Castigo"

Em São Peterburgo, não resistimos a investigar a inspiração para as personagens vis do romance mais famoso de Fiódor Dostoiévski: as suas próprias lástimas e as misérias de certos concidadãos.

Gentlemen Club & Steakhouse
Arquitectura & Design

Las Vegas, E.U.A.

Onde o Pecado tem Sempre Perdão

Projectada do Deserto Mojave como uma miragem de néon, a capital norte-americana do jogo e do espectáculo é vivida como uma aposta no escuro. Exuberante e viciante, Vegas nem aprende nem se arrepende.

Aventura
De Barco

Desafios Para Quem Só Enjoa de Navegar na Net

Embarque de corpo e alma nestas viagens e deixe-se levar pela adrenalina ou pela imponência de cenários tão dispares como o arquipélago filipino de Bacuit e o mar gelado do Golfo finlandês de Bótnia.
Indígena Coroado
Cerimónias e Festividades

Pueblos del Sur, Venezuela

Por uns Trás-os-Montes Venezuelanos em Festa

Em 1619, as autoridades de Mérida ditaram a povoação do território em redor. Da encomenda, resultaram 19 aldeias remotas que encontramos entregues a comemorações com caretos e pauliteiros locais.

De volta ao porto
Cidades

Anchorage a Homer, E.U.A.

Viagem ao Fim da Estrada Alasquense

Se Anchorage se tornou a grande cidade do 49º estado dos E.U.A., Homer, a 350km, é a sua mais famosa estrada sem saída. Os veteranos destas paragens consideram esta estranha língua de terra solo sagrado. Também veneram o facto de, dali, não poderem continuar para lado nenhum. 

Muito que escolher
Comida

São Tomé e Príncipe

Que Nunca Lhes Falte o Cacau

No início do séc. XX, São Tomé e Príncipe geravam mais cacau que qualquer outro território. Graças à dedicação de alguns empreendedores, a produção subsiste e as duas ilhas sabem ao melhor chocolate.

Ilha menor
Cultura

Tonga, Samoa Ocidental, Polinésia

Pacífico XXL

Durante séculos, os nativos das ilhas polinésias subsistiram da terra e do mar. Até que a intrusão das potências coloniais e a posterior introdução de peças de carne gordas, da fast-food e das bebidas açucaradas geraram uma praga de diabetes e de obesidade. Hoje, enquanto boa parte do PIB nacional de Tonga, de Samoa Ocidental e vizinhas é desperdiçado nesses “venenos ocidentais”, os pescadores mal conseguem vender o seu peixe.

Recta Final
Desporto

Inari, Lapónia, Finlândia

A Corrida Mais Louca do Topo do Mundo

Há séculos que os lapões da Finlândia competem a reboque das suas renas. Na final Kings Cup, confrontam-se a grande velocidade, bem acima do Círculo Polar Ártico e muito abaixo de zero.

Surfspotting
Em Viagem

Perth a Albany, Austrália

Pelos Confins do Faroeste Australiano

Poucos povos veneram a evasão como os aussies. Com o Verão meridional em pleno e o fim-de-semana à porta, os habitantes de Perth refugiam-se da rotina urbana no recanto sudoeste da nação. Pela nossa parte, sem compromissos, exploramos a infindável Austrália Ocidental até ao seu limite sul.

Étnico
Espectáculos

A Terra em Cena

Um pouco por todo o Mundo, cada nação, região ou povoação e até bairro tem a sua cultura. Em viagem, nada é mais recompensador do que admirar, ao vivo e in loco, o que as torna únicas.
Crepúsculo exuberante
Fotografia
Luz Natural (Parte 2)

Um Sol, tantas Luzes

A maior parte das fotografias em viagem são tiradas com luz solar. A luz solar e a meteorologia formam uma interacção caprichosa. Saiba como a prever, detectar e usar no seu melhor.
Saint-Pierre
História
Saint-Pierre, Martinica

A Cidade que Renasceu das Cinzas

Em 1900, a capital económica das Antilhas era invejada pela sua sofisticação parisiense, até que o vulcão Pelée a carbonizou e soterrou. Passado mais de um século, Saint-Pierre ainda se regenera.
Pequeno navegador
Ilhas

Honiara e Gizo, Ilhas Salomão

O Templo Profanado das Ilhas Salomão

Um navegador espanhol baptizou-as, ansioso por riquezas como as do rei bíblico. Assoladas pela 2a Guerra Mundial, por conflitos e catástrofes naturais, as Ilhas Salomão estão longe da prosperidade.

Aurora fria II
Inverno Branco
Circuito Anapurna: 3º- Upper Pisang, Nepal

Uma Inesperada Aurora Nevada

Aos primeiros laivos de luz, a visão do manto branco que cobrira a povoação durante a noite deslumbra-nos. Com uma das caminhadas mais duras pela frente, adiamos a partida tanto quanto possível. Contrariados, deixamos Upper Pisang rumo a Ngawal quando a derradeira neve se desvanecia.
Silhueta e poema
Literatura

Goiás Velho, Brasil

Uma Escritora à Margem do Mundo

Nascida em Goiás, Ana Lins Bretas passou a maior parte da vida longe da família castradora e da cidade. Regressada às origens, continuou a retratar a mentalidade preconceituosa do interior brasileiro

Santas alturas
Natureza

Kazbegi, Geórgia

Deus nas Alturas do Cáucaso

No século XIV, religiosos ortodoxos inspiraram-se numa ermida que um monge havia erguido a 4000 m de altitude e empoleiraram uma igreja entre o cume do Monte Kazbegi (5047m) e a povoação no sopé. Cada vez mais visitantes acorrem a estas paragens místicas na iminência da Rússia. Como eles, para lá chegarmos, submetemo-nos aos caprichos da temerária Estrada Militar da Geórgia.

Aposentos dourados
Outono

Sheki, Azerbaijão

Outono no Cáucaso

Perdida entre as montanhas nevadas que separam a Europa da Ásia, Sheki é uma das povoações mais emblemáticas do Azerbaijão. A sua história em grande parte sedosa inclui períodos de grande aspereza. Quando a visitámos, tons pastéis de Outono davam mais cor a uma peculiar vida pós-soviética e muçulmana.

Caribe rosado
Parques Naturais

PN Henri Pittier, Venezuela

Entre o Mar das Caraíbas e a Cordilheira da Costa

Em 1917, o botânico Henri Pittier afeiçoou-se à selva das montanhas marítimas da Venezuela. Os visitantes do parque nacional que este suíço ali criou são, hoje, mais do que alguma vez desejou

Portal para uma ilha sagrada
Património Mundial Unesco

Miyajima, Japão

Xintoísmo e Budismo ao Sabor das Marés

Quem visita a ilha de Itsukushima admira um dos três cenários mais reverenciados do Japão. Ali, a religiosidade nipónica confunde-se com a Natureza e renova-se com o fluir do Mar interior de Seto.

Personagens
Sósias, actores e figurantes

Estrelas do Faz de Conta

Protagonizam eventos ou são empresários de rua. Encarnam personagens incontornáveis, representam classes sociais ou épocas. Mesmo a milhas de Hollywood, sem eles, o Mundo seria mais aborrecido.
Baie d'Oro
Praia

Île-des-Pins, Nova Caledónia

A Ilha que se Encostou ao Paraíso

Em 1964, Katsura Morimura deliciou o Japão com um romance-turquesa passado em Ouvéa. Mas a vizinha Île-des-Pins apoderou-se do título "A Ilha mais próxima do Paraíso" e extasia os seus visitantes.

Bruxinha de chaleira
Religião

Helsínquia, Finlândia

A Páscoa Pagã de Seurasaari

Em Helsínquia, o sábado santo também se celebra de uma forma gentia. Centenas de famílias reúnem-se numa ilha ao largo, em redor de fogueiras acesas para afugentar espíritos maléficos, bruxas e trolls

Colosso Ferroviário
Sobre carris

Cairns-Kuranda, Austrália

Comboio para o Meio da Selva

Construído a partir de Cairns para salvar da fome mineiros isolados na floresta tropical por inundações, com o tempo, o Kuranda Railway tornou-se no ganha-pão de centenas de aussies alternativos.

Sphynx
Sociedade

Tóquio, Japão

Ronronares Descartáveis

Tóquio é a maior das metrópoles mas, nos seus apartamentos exíguos, não há lugar para mascotes. Empresários nipónicos detectaram a lacuna e lançaram "gatis" em que os afectos felinos se pagam à hora.

Vida Quotidiana
Profissões Árduas

O Pão que o Diabo Amassou

O trabalho é essencial à maior parte das vidas. Mas, certos trabalhos impõem um grau de esforço, monotonia ou perigosidade de que só alguns eleitos estão à altura.
Devils Marbles
Vida Selvagem

Alice Springs a Darwin, Austrália

A Caminho do Top End

Do Red Centre ao Top End tropical, a Stuart Hwy percorre mais de 1.500km solitários através da Austrália. Nesse trajecto, a grande ilha muda radicalmente de visual mas mantém-se fiel à sua alma rude.

Os sounds
Voos Panorâmicos

The Sounds, Nova Zelândia

Os Fiordes dos Antipodas

Um capricho geológico fez da região de Fiordland a mais crua e imponente da Nova Zelândia. Ano após anos, muitos milhares de visitantes veneram o subdomíno retalhado entre Te Anau e o Mar da Tasmânia.